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Guiné-Bisssau

Dois candidatos uma ambição

Candidatos à segunda volta das eleições presidenciais na Guiné-Bissau
Candidatos à segunda volta das eleições presidenciais na Guiné-Bissau RFI
Texto por: Neidy Ribeiro
4 min

Domingos Simões Pereira e Umaro Sissoco Embaló disputam, neste domingo, a segunda volta das eleições presidenciais na Guiné-Bissau. Dois homens, com perfis opostos, cujo denominador comum é a ambição de ocupar a cadeira de chefe de Estado do país.

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Na corrida eleitoral estão dois antigos primeiros-ministros, Domingos Simões Pereira, apoiado pelo PAIGC, que teve 40,13% dos votos na primeira volta das eleições presidenciais, a 24 de Novembro, e Umaro Sissoco Embaló, apoiado pelo Madem-G15, que obteve 27,65% dos votos.

 “Eu quero ser o Presidente de todos os guineenses”

Domingos Simões Pereira, antigo primeiro-ministro e ex-secretário executivo da CPLP, joga nesta eleição a sua última cartada política. Depois de ter sido afastado da liderança do governo em 2015, voltou a ver o seu nome recusado pelo chefe de Estado cessante após vencer as eleições legislativas de Março deste ano.

O candidato mais votado na primeira volta garante, que se vencer as eleições, a sua prioridade será a reconciliação, a paz e a estabilidade entre os guineenses.

Eu quero ser o Presidente de todos os guineenses. Todos os guineenses, sem qualquer tipo de distinção, devem sentir-se no dever de beneficiar de todas as oportunidades que o país lhes oferece para poderem implementar os seus talentos”, explicou.

“Clarificação da constituição”

O candidato do PAIGC diz que se for eleito chefe de Estado vai promover o diálogo para que os guineenses “em absoluta liberdade“ possam decidir qual é o sistema político que mais convém aos objetivos que estão estabelecidos.

É essencial tornar o texto da constituição mais coerente. O sistema que está definido é semi-presidencial e, portanto, não pode haver articulados que criem dúvidas. Outra questão, completamente diferente, é a Assembleia Popular lançar um processo de discussão para uma revisão do sistema. Eu, enquanto Presidente da República, vou promover o diálogo para que os guineenses em absoluta liberdade possam decidir qual é o sistema político que mais convém aos objetivos que estão estabelecidos. Enquanto não houver essa revisão é a constituição que temos que é válida, e que eu também me proponho a respeitar, explicou.

“Precisamos de refundar o Estado”

Umaro Sissoko Embaló, antigo general na reserva, que ocupou o cargo de primeiro-ministro entre Novembro de 2016 e Janeiro de 2018 apresentou-se nesta eleição como o “general do povo”, o homem que vai virar a página do país.  

O candidato do Madem-15, o segundo mais votado na primeira volta, afirma que se for eleito chefe de Estado a sua primeira medida será a concórdia nacional e refundar o Estado.  

“Precisamos de mudar a página, refundar o Estado, dar confiança ao homem guineense, isso é a primeira coisa que eu tenho de fazer. É preciso de fazer tudo de A-Z, estamos com falta de tudo. Saúde, educação, não há água potável, portanto há muita coisa por fazer”, observou.

Para a implementação dos projectos que tem para o país, Umaro Sissoco Embaló diz contar com o apoio da Comunidade Internacional e lembra que a Guiné-Bissau dispõe de recursos, recursos que têm sido mal geridos nos últimos anos.

“O problema não está na constituição”

Sobre a reforma da constituição o candidato do Madem-G15 diz que “o problema não está no regime semi-presidencialista, mas nos homens do país”.

“Temos a mesma constituição em Cabo Verde, São Tomé e Portugal, mas na Guiné-Bissau sempre que há uma coabitação entre um presidente ou um primeiro-ministro do PAIGC é que há esse problema. Eu, como Presidente da República, saberei separar os meus poderes constitucionais e o poder do executivo”, justificou.

Mais de 760 mil guineenses são chamados às urnas para escolher o próximo Presidente: Domingos Simões Pereira ou Umaro Sissoco Embaló.

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