Guiné-Bissau: CEDEAO ameaça com sanções

Umaro Sissoco Embaló ganhou a segunda volta das eleições presidenciais na Guiné-Bissau
Umaro Sissoco Embaló ganhou a segunda volta das eleições presidenciais na Guiné-Bissau SEYLLOU / AFP

A CEDEAO volta a ameaçar com sanções quem atente contra a ordem constitucional e critica a intervenção dos militares, que acusa de se imiscuírem nos assuntos políticos.

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A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) voltou esta segunda-feira a mostrar preocupação com a interferência das forças de defesa e segurança da Guiné-Bissau na crise política, pedindo aos militares que se abstenham.

Em comunicado, a organização, que tem mediado a crise no país, acena com a ameaça de impor sanções a quem atente contra a ordem constitucional estabelecida na Guiné-Bissau.

O país atravessa, uma vez mais, um momento político conturbado, depois do autoproclamado Presidente Umaro Sissoco Embaló ter demitido, na passada sexta-feira, o primeiro-ministro Aristides Gomes e ter nomeado Nuno Nabian.

Golpe de Estado ou não, os militares continuam a impedir o acesso dos funcionários públicos às repartições estatais. A ordem é no sentido de abandonar e ficar em casa. Esta segunda-feira, só as instituições privadas é que estiveram em funcionamento.

Entretanto, Helder Vaz, embaixador da Guiné-Bissau em Portugal, mas que se encontra por estes dias em Bissau, e em nome do presidente Presidente Umaro Sissoco Embalo, negou que esteja em curso um golpe de Estado.

Segundo Vaz, o que se passa é a tomada de posição no sentido de evitar que a vitória eleitoral de Sissoco Embalo fosse subvertida através de manobras na justiça.

É perante estes cenários que os guineenses aguardam pelo evoluir da situação, tendo no horizonte duas perspetivas: a formação do Governo de Nuno Nabian ou a tomada de posição enérgica da comunidade internacional.

Mussa Baldé, correspondente da RFI na Guiné-Bissau

Em Cabo Verde, o Ministro dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades, Luís Filipe Tavares, disse que tanto o país como a CPLP, actualmente presidida pelos cabo-verdianos, estão a a acompanhar com atenção o desenrolar da situação da Guiné Bissau.

Em declarações à rádio pública, o chefe da diplomacia cabo-verdiana afirmou que a CPLP aconselha serenidade e respeito pela constituição do país. Quanto às forças militares pediu que se abstenham de acções que comprometam a sua neutralidade. 

Luís Filipe Tavares, ministro dos negócios estrangeiros de Cabo Verde

Já o Senegal, que tem sido acusado por certos sectores políticos de se imisciuir nos assuntos da Guiné-Bissau, desmentiu qualquer ingerência. Para o analista guineense rui Landim, os senegaleses não pode pretender influenciar a vida política guineense.

Rui Landim, analista político guineense

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