Guiné-Bissau

Guiné-Bissau: anulação da missão da CEDEAO e fim do acordo APU/PAIGC

Nuno Nabian, primeiro-ministro nomeado pelo autoproclamado presidente Umaro Sissoco Embaló.
Nuno Nabian, primeiro-ministro nomeado pelo autoproclamado presidente Umaro Sissoco Embaló. Miguel Martins/RFI

A CEDEAO anunciou o cancelamento da deslocação de uma missão de peritos eleitorais que devia chegar esta segunda-feira e permanecer em Bissau durante esta semana no intuito de tentar uma nova mediação. Paralelamente, a APU-PDGB pôs um termo ao acordo parlamentar com o PAIGC.

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Em reunião da comissão política, a APU-PDGB, com cinco deputados no parlamento, decidiu renunciar ao acordo que mantinha com o PAIGC. Este acordo de incidência parlamentar permitiu ao PAIGC formar uma maioria no parlamento, maioria que dava sustentáculo ao Governo saído das eleições legislativas de Março de 2019 e liderado por Aristides Gomes.

A APU prepara-se agora para firmar um novo acordo de incidência parlamentar, desta vez com os partidos Madem G-15 e PRS, respectivamente segunda e terceira forças políticas no parlamento, de modo a criar uma nova maioria parlamentar que daria suporte à equipa governativa de Nuno Nabian.

No entanto, quatro dos cinco deputados da APU afirmam manter a aliança com o PAIGC e, por conseguinte, o suporte ao executivo de Aristides Gomes.

Isto sucede numa altura em que acaba de ser cancelada a missão de peritos eleitorais da CEDEAO que devia chegar à Bissau esta segunda-feira, uma missão que foi inviabilizada depois de o Governo de Nuno Nabian dizer que "não era bem-vinda à Guiné-Bissau".

Ao considerar que é inconcebível que a CEDEAO mande a Bissau peritos de uma organização que não reconhece o seu Governo, o executivo de Nuno Nabian avisou ainda em comunicado que até o próximo dia 27, as tropas da Ecomib deverão abandonar o território guineense e que doravante vão ficar acantonadas numa zona de Bissau, sem qualquer intervenção em questões de segurança. Ao referir que já estão a ser "tomadas disposições" neste sentido, o comunicado da equipa governativa de Nuno Nabian, indica que os órgãos de soberania passam a ser "assegurados pelas forças de defesa e segurança" da Guiné-Bissau.

Para o sociólogo guineense Leonardo Cardoso, a CEDEAO é reponsável pela crise política que afecta o país e acrescenta que Umaro Sissoco Embaló é o legítimo presidente da Guiné-Bissau.

Leonardo Cardoso, sociólogo guineense

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