Militares voltam a cercar residência de Aristides Gomes

Aristides Gomes, primeiro-ministro guineense, na cimeira da CEDEAO de Addis Abeba a 9 de Fevereiro de 2020, na sede da União Africana.
Aristides Gomes, primeiro-ministro guineense, na cimeira da CEDEAO de Addis Abeba a 9 de Fevereiro de 2020, na sede da União Africana. RFI/Miguel Martins

O primeiro-ministro guineense, Aristides Gomes, denunciou, esta quarta-feira, que a sua residência em Bissau está cercada por militares "fortemente armados".

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Numa mensagem dirigida aos guineenses e à comunidade internacional, Aristides Gomes questiona o plano "para silenciar", que tem denunciado nos últimos dias, "está em execução".

URGENTE À atenção dos guineenses e da comunidade internacional. Neste preciso momento, a minha residência privada está...

Publiée par Aristides Gomes - Primeiro Ministro da Guiné-Bissau sur Mardi 10 mars 2020

Segundo a agência noticiosa lusa, em Bissau, a  Ecomib, força de interposição da Comunidade Económica dos Estados de África Ocidental (CEDEAO) estacionada no país desde 2012, não se encontrava junto da residência de Aristides Gomes, cercada por viaturas das forças de segurança.

A Ecomib também não estava estacionada no Palácio da Presidência. 

"Ordenei ontem, segunda-feira 9 de Março, ao primeiro-ministro o acantonamento das forças da Ecomib. Uma pessoa não está em guerra e hoje é a última vez que vão ver uma caravana da Ecomib na minha escolta pessoal. Eu confio nas forças da República da Guiné-Bissau. Quem garante a segurança é o Governo e o primeiro-ministro já tem dispositivos montados para garantir a segurança de todas as pessoas", afirmou antes de viajar em visita oficial para o Senegal, Níger e Nigéria, o auto-proclamado Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló.

Na sequência da tomada de posse, Umaro Sissoco Embaló demitiu Aristides Gomes, que lidera o governo que saiu as legislativas e que tem a maioria no parlamento do país, e nomeou Nuno Nabiam para o cargo.

Nos últimos dias, os militares guineenses ocuparam e encerraram as instituições do Estado guineense, impedindo Aristides Gomes e o seu governo de continuar em funções e permitindo que o Nuno Nabiam e o seu governo iniciassem funções.

A CEDEAO, mediadora da crise guineense, voltou a ameaçar impor sanções a quem atente contra a ordem constitucional estabelecida na Guiné-Bissau, acusou os militares de se imiscuírem nos assuntos políticos e cancelou uma deslocação de peritos ao país para ajudar a resolver o contencioso eleitoral.

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