#Bruno Candé/Racismo

Procuradoria aponta ódio racial na origem da morte de Bruno Candé

Actor Bruno Candé Marques
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Texto por: RFI
3 min

O Ministério Público português acusou Evaristo Marinho por homicídio qualificado do actor luso-guineense Bruno Candé, baleado na cidade de Loures, em 25 de Julho de 2020. O crime é agravado por ter sido motivado por ódio racial.

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De acordo com a agência Lusa, o despacho do Ministério Público indica que Evaristo Marinho actuou com intenção de matar Bruno Candé e agiu “por razões vãs”, tendo-lhe provocado a morte de “forma falsa, traiçoeira”, já que o impediu de se defender.

Segundo a acusação, o homicídio foi cometido por uma discussão tida dias antes entre ambos e também pela cor e origem africana de Bruno Candé, às quais o arguido fez referências insultuosas.

Evaristo Marinho, de 76 anos, afirmou durante uma discussão com o actor luso-guineense Bruno Candé, em 22 de Julho de 2020: “Vai para a tua terra, preto! Tens toda a família na senzala e devias também lá estar!”.

Durante a discussão na via pública, o arguido levantou a bengala em direcção à vítima, ameaçando-o de morte e fazendo referência à cor do cidadão. De acordo com o Ministério Público , Bruno Candé entrou num veículo e o arguido ainda gritou: “Tenho lá armas em casa do Ultramar e vou-te matar”.

Nos dias seguintes, o arguido teria passado diversas vezes na mesma rua com uma pistola calibre 7,65 milímetros e, no dia 25 de Julho, por volta da hora do almoço, ao avistar Bruno Candé sentado no muro de um canteiro existente na rua, o arguido retirou a arma do coldre, empunhou-a e disparou contra a vitima que, de imediato, caiu ao chão.

A acusação acrescenta que, “aproveitando que Bruno Candé Marques estava prostrado no chão, o arguido [se aproximou] e efectuou mais quatro disparos”, provocando-lhe a morte imediata.

Evaristo Marinho foi detido por cidadãos a poucos metros do local do crime, até chegar a PSP.

O arguido, que prestou serviço militar em Angola, entre 1966 e 1968, encontra-se em prisão preventiva a aguardar julgamento.

Bruno Candé tinha 39 anos e era actor da companhia de teatro Casa Conveniente desde 2010 e também participou em telenovelas.

 

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