Guiné-Bissau/Covid-19/Ensino

Guiné-Bissau/Covid-19: contestação ao encerramento das escolas

Liceu Kwame N'krumah, o maior de Bissau, com aulas suspensas por 30 dias desde 22 de janeiro, para tentar conter a pandemia da Covid-19.
Liceu Kwame N'krumah, o maior de Bissau, com aulas suspensas por 30 dias desde 22 de janeiro, para tentar conter a pandemia da Covid-19. © GB
Texto por: Mussá Baldé
5 min

O governo guineense anunciou a 22 de janeiro, o encerramento das escolas e a suspensão das aulas por 30 dias em Bissau, como forma de conter a pandemia da Covid-19, uma decisão desde logo condenada pela Liga Guineense dos Direitos Humanos que a considera "injustificada" e agora também os alunos consideram esta decisão "inoportuna, inadequada e inaceitával".

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A Guiné-Bissau registou oficialmente nesta segunda-feira, 25 de janeiro, 2.532 casos de Covid-19 e 45 óbitos devido à pandemia da Covid-19, números cuja conexão com a frequência de escolas, liceus e universidades não está provada, o que levou a Liga Guineense dos Direitos Humanos a condená-la e agora também os alunos querem a suspensão da medida.

Ericson Ocante Ié, presidente da Plataforma Nacional das Associações Académicas do Ensino Médio e Superior da Guiné-Bissau disse à RFI que a decisão do Governo é, citamos: "inoportuna, inadequada e inaceitável".

O dirigente estudantil disse que não se compreende porque suspender as aulas quando outros serviços públicos, como os transportes e os mercados, que têm mais aglomerações de pessoas, continuam a funcionar.

Os alunos dizem que não se justifica a suspensão de aulas tendo em conta o pouco número de casos de infecção no país.

Ericsson Ié anuncia uma série de diligências para fazer o governo voltar atrás: "nós vamos desencadear várias acções, para tentar ver se vamos conseguir reverter esta situação de suspensão de aulas. Vamos ao ministério da educação tentar convencer o ministro e demais entidades, faremos aquilo que é necessário de acordo com os meios que a lei nos permite, para reinvindicar os nossos direitos". 

Mussá Baldé, correspondente em Bissau 25/01/2021

No âmbito do estado de calamidade sanitária pública, o governo propôs e o Presidente Umaro Sissoco Embaló, decretou a suspensão de aulas em Bissau durante 30 dias a partir de 22 de janeiro.

A Liga Guineense dos Direitos Humanos em comunicado datado de 23 de janeiro condena esta decisão e estima que "a suspensão das aulas em Bissau...é manifestamente injustificável na medida em que não espelhou o nexo causal entre o funcionamento das escolas e o aumento de casos de Covid-19".

"O sector do ensino guineense tem sido área residual dos sucessivos governos e  sistematicamente fustigado pelas paralisações. Nos últimos três anos, registaram-se perdas superiores a 90 dias de aulas por ano, equivalente à metade do período lectivo. Por conseguinte, a decisão do governo irá contribuir para o agravamento de assimetrias prevalecentes no sector de ensino e aprofundar ainda mais os problemas estruturais que enfrenta", pode ainda ler-se no comunicado da LGDH.

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