Guiné-Bissau

Agnelo Regala: "Há uma tentativa de amordaçar as vozes dissidentes”

Agnelo Regala, lider da União para a Mudança, na guiné-Bissau
Agnelo Regala, lider da União para a Mudança, na guiné-Bissau © Liliana Henriques / RFI

No passado dia 1 de Fevereiro, o Palácio do governo da Guiné-Bissau foi atacado por homens armados em plena reunião do Conselho de Ministros juntamente com o Presidente da República. Este ataque que resultou em 8 mortos, está actualmente a ser investigado por uma comissão governamental.

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Desde então, as forças de Defesa e Segurança começaram a efectuar buscas casa-a-casa em Bissau, referindo estar à procura de armas para prevenir eventuais novos ataques, mas organizações da sociedade civil denunciam atropelos, agressões e detenções ilegais no âmbito destas buscas.

Também nestes últimos dias, a radio ‘Capital FM’ que é uma voz crítica face ao poder, foi atacada por homens armados, o balanço sendo de 7 feridos e importantes danos materiais. Um caso qualificado pelo governo guineense de “acto isolado”.

Paralelamente, ocorreram igualmente ataques contra as residências de duas figuras ligadas àquela estação, o analista Rui Landim e o activista dos Direitos Humanos Luís Vaz Martins.

Ao comentar esta série de acontecimentos que se deram no espaço de duas semanas, Agnelo Regala, líder do partido ‘União para a Mudança’ que integra o ‘Espaço de Concertação Democrática’, considera que “está-se a criar um ambiente de terror, de intimidação. Há uma tentativa de amordaçar aquilo que são as vozes dissidentes porque toda e qualquer busca que possa ser feita no país deveria ser feita num quadro de absoluta legalidade e constitucionalidade”, argumentando que “qualquer busca exige um mandado de busca e terá que acontecer normalmente nos horários definidos. Depois das 20 horas, em nenhum país do mundo se fazem buscas a não ser que sejam questões extremamente gravosas”.

Para o líder partidário, “não se quer fazer uma clarificação daquilo que aconteceu no dia 1 de Fevereiro, particularmente porque nós, os partidos do espaço de concertação democrática, pedimos que houvesse um inquérito independente e contundente relativamente àquilo que aconteceu”, Agnelo Regala declarando que “ninguém vai acreditar nas conclusões de uma comissão de inquérito presidida pelo ministro do interior ilegítimo cujo partido já acusou forças políticas de estarem envolvidas”.

Ao aludir aos recentes debates ocorridos no país, nomeadamente em torno do Acordo sobre a exploração de petróleo rubricado com o Senegal, o líder da União para a Mudança refere que “há uma necessidade deste Estado ser mais transparente, de as pessoas dizerem aquilo que foi feito para podermos corrigir os erros para podermos retomar o caminho da democracia”.

Ao ser questionado sobre a intenção de a CEDEAO enviar uma força de estabilização à Guiné-Bissau, este responsável político mostra-se bastante crítico e considera que a CEDEAO “é uma organização que está desacreditada, é uma organização que toda a gente considera que é um cartel de Presidentes da Republica que se defendem uns aos outros, que defendem os seus interesses. Enquanto a CEDEAO não defender a verdade e não tiver em conta o respeito pela Constituição dos diferentes países, então a CEDEAO não terá condições de prosseguir a sua missão”.

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