Dispositivo histórico para julgamento dos atentados de Paris

Palácio de Justiça de Paris, 2 de Setembro de 2021.
Palácio de Justiça de Paris, 2 de Setembro de 2021. © Thomas Coex, AFP

O julgamento dos atentados de 13 de Novembro de 2015, em Paris, arranca esta quarta-feira, seis anos depois dos piores ataques terroristas cometidos em França que fizeram 130 mortos e 350 feridos. O julgamento tem a duração prevista de nove meses, conta com um dispositivo máximo de segurança e uma sala de audiências criada para o efeito.

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É um julgamento histórico que acontece em tempos de pandemia e em que a ameaça terrorista se mantém elevada. Para acolher as audiências, foi construída uma sala com 550 lugares, no interior do também histórico Palácio da Justiça, na Île de la Cité, em pleno coração de Paris. À volta, o tráfego automóvel e pedestre vai ser limitado, duas avenidas totalmente fechadas e as entradas altamente controladas.

O julgamento vai durar quase nove meses, há 1.765 partes civis, de mais de vinte nacionalidades, 330 advogados e mais de uma centena de testemunhas vão ser chamadas à barra, nomeadamente o ex-Presidente francês François Hollande. Estarão ainda presentes 141 órgãos de comunicação social, incluindo 58 internacionais. Ou seja, se todas as salas, incluindo as de difusão vídeo do julgamento, estiveram lotadas, há uma capacidade para acolher simultaneamente 2.000 pessoas.

É, por isso, sob segurança máxima que um colectivo de juízes vai julgar 20 arguidos, nomeadamente Salah Abdeslam, considerado como o único elemento vivo dos que perpetraram os ataques da noite 13 de Novembro de 2015.

Seis outros arguidos estão ausentes. Ahmed Dahmani, suspeito de estar a cargo da logística da célula terrorista que preparou os atentados, está preso na Turquia desde 2016. Os outros são alvos de mandado de captura mas suspeita-se que teriam morrido em bombardeamentos na Síria: Oussama Atar, apontado como o mandante dos atentados de Paris; Obeida Aref Dibo, outro alto responsável do autodenominado Estado Islâmico; Fabien Clain e Jean-Michel Clain, autores da mensagem áudio a reivindicar os ataques; e o sírio Ahmad Alkhald (ou Omar Darif).

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