Julgamento atentados Paris

Julgamento de atentados: À espera de “verdadeiro momento de justiça”

Corredor do Palácio de Justiça em Paris. As fitas verdes e azuis são para as partes civis indicarem se estão disponíveis para falar à imprensa (verde) ou não (vermelho). 8 de Setembro de 2021.
Corredor do Palácio de Justiça em Paris. As fitas verdes e azuis são para as partes civis indicarem se estão disponíveis para falar à imprensa (verde) ou não (vermelho). 8 de Setembro de 2021. © Carina Branco

Em Paris, arrancou esta quarta-feira o julgamento dos atentados de 13 de Novembro de 2015. O julgamento histórico acontece seis anos depois dos piores ataques terroristas cometidos em França que fizeram 130 mortos e centenas de feridos. As vítimas querem simplesmente justiça. 

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Querem simplesmente que se faça justiça e vieram assistir ao arranque do julgamento dos atentados de 13 de Novembro de 2015, seis anos depois de terem sido vítimas dos piores ataques terroristas em França.

Arthur Dénouveaux é presidente da associação de vítimas Life For Paris e sobrevivente do Bataclan, onde morreram 90 pessoas. Ele espera simplesmente um momento de justiça.

Espero um verdadeiro momento de justiça, um momento que mostre à França que o nosso país e a nossa justiça sabem julgar os crimes terroristas mais extremos com uma justiça normal. E isso é o que nos dá garantias sobre poder viver em democracia.

Confrontados com o único sobrevivente do comando da noite dos atentados, Sallah Abdeslam, que na abertura do julgamento se declarou como “combatente do Estado Islâmico”, as vítimas olham para ele simplesmente como um fantoche manipulado por interesses terroristas. É o que exprime Thierry, que estava no Bataclan a 13 de Novembro.

Ele fez um pouco o engraçadinho, o palhaço para dizer que é do Estado Islâmico mas o presidente do tribunal meteu-o logo no lugar”, conta, sublinhando que não tem grandes expectativas em relação ao julgamento.

Sem esconder a emoção e a raiva que diz sentir, Dominique Kielemoes quer que seja feita justiça ainda que isso não lhe traga o filho de volta, Victor Munoz, que morreu com 24 anos no café La Belle Equipe. 

Acredito na justiça do meu país e sei que esta pessoa que está no banco dos réus, sobre a qual me recuso a dizer o nome para não lhe dar protagonismo, é um assassino. Ele fez mais uma provocação, já esperávamos e preparámo-nos para isto”, afirmou a também vice-presidente da associação de vítimas 13onze15.

O julgamento dos atentados de Paris vai durar quase nove meses. As vítimas só começam a ser ouvidas a 28 de Setembro.

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