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Moçambique

O Ramadão em período de covid-19 em Moçambique

Sheik Aminuddin Mohammad, presidente do Conselho Islâmico de Moçambique
Sheik Aminuddin Mohammad, presidente do Conselho Islâmico de Moçambique © Youtube
Texto por: Liliana Henriques
7 min

Mesquitas fechadas, reuniões de família proibidas e recolher obrigatório devido à pandemia de covid-19 marcam o começo do Ramadão na maior parte do mundo, embora algumas autoridades religiosas tenham rejeitado as restrições. Em entrevista à RFI, Sheik Aminuddin Mohammad, presidente do Conselho Islâmico de Moçambique, evocou o mês de jejum em contexto de confinamento e convidou os muçulmanos do seu país ao recolhimento.

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"Com estas restrições não vamos estar tão à vontade como estávamos no passado" reconheceu o religioso referindo todavia que "as partes sociais (da celebração do Ramadão) estão de facto restringidas, mas a parte espiritual, se não a pudermos fazer colectivamente, estamos a exortar a todos para que façam isso isoladamente nas suas casas, nas suas famílias".

Ao recordar que "o jejum sempre foi um acto individual", Sheik Aminuddin Mohammad "nada vai alterar o ritual e a parte espiritual" e relativamente à socialização depois do pôr-do-sol, "cada um vai cumprir os preceitos nas suas casas".

Moçambique onde o número de casos de coronavírus passou de 46 para 65 casos nas últimas 24 horas, encontra-se em Estado de Emergência desde o começo do mês. Praticamente todas as actividades económicas, sociais, culturais e religiosas estão paradas.

Este contexto particular não tem sido contudo um obstáculo para os ataques continuarem em Cabo Delgado, no norte do país, estes atentados sendo frequentemente reivindicados por organizações que se reclamam de um Islão radical.

Questionado sobre este outro factor que torna este novo mês de jejum um momento tão sensível em Moçambique, o presidente do Conselho Islâmico de Moçambique repudiou em bloco estas acções considerando que "o Islão está a ser usado como capa".

Para o religioso "alguém de má-fé tem os seus objectivos por detrás disso, talvez políticos ou económicos", Sheik Aminuddin Mohammad considerando que "é muito estranho isto acontecer agora quando foram descobertos recursos, petróleo e gás".

Ao vincar que a sua comunidade religiosa nada tem a ver com estas ocorrências, o responsável vinca que "o Islão não ensina a violência" e lamenta a situação em Cabo Delgado "que está a afectar muito a convivência e, em primeiro lugar, os muçulmanos".

Refira-se que ainda esta semana, 52 jovens foram assassinados na zona de Cabo Delgado por recusar serem recrutados nas fileiras armadas que têm perpetrado ataques naquela região desde Outubro de 2017, atentados que as autoridades moçambicanas atribuiram hoje a "grupos terroristas externos".

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