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A música para pensar “uma nova África”

Áudio 13:37
Moreira Chonguiça, um dos músicos a participar no concerto online pan-africano.
Moreira Chonguiça, um dos músicos a participar no concerto online pan-africano. © https://www.wan.africa/
Por: Carina Branco

Para celebrar o Dia de África, 25 de Maio, dezenas de artistas juntam-se online para um concerto pan-africano com o lema “Together is one, together is wan”, em referência à luta contra a pandemia do novo coronavírus. A RFI falou com o saxofonista moçambicano Moreira Chonguiça que também vai actuar e que acredita que a iniciativa é uma oportunidade para pensar uma “Nova África”.

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No cartaz do concerto, há nomes como o senegalês Yousson N’Dour, os malianos Salif Keita e Fatoumata Diawara, o angolano Lulendo, os cabo-verdianos Tibo Evora, Tito Paris, Teófilo Chantre e Mariana Ramos, os guineenses Ramiro Naka e Sidó, os brasileiros Lenine, Carlinhos Brown, Chico César, Flávia Coelho, entre tantos outros. A RFI falou com o saxofonista moçambicano Moreira Chonguiça que também vai actuar e que acredita que a iniciativa é uma oportunidade para pensar uma “Nova África”.

Além do concerto, ao início da noite deste 25 de Maio, que vai ser difundido na plataforma Worldwide Afro Network, nas redes sociais  e em canais nacionais africanos e alguns privados, o evento conta com vários debates ao longo do dia.

O músico de afro-jazz Moreira Chonguiça, que fez um álbum em conjunto com Manu Dibango, em 2017, acredita que a iniciativa da Worldwide Afro Network é uma oportunidade para pensar uma “Nova África” porque “é em momentos de grandes turbulências que novas tendências são criadas”.

Este momento de coronavírus, que é uma situação atípica, também é um momento de reflexão de quem somos e onde estamos. Em Africa temos vários desafios e com a pandemia muitos desafios ficaram maiores, mas se calhar temos algumas soluções, que são todo o pensamento, toda a ideologia do pan-africanismo. Então, este concerto traz de volta a reflexão, quem somos nós e, de alguma maneira, uma reflexão para uma Nova África visto que o mundo não vai ser igual outra vez”, considera o músico.

Moreira Chonguiça defende que “não se pode falar de evolução do comportamento humano sem se falar de uma revolução” e é das “revoluções dolorosas que surgem as grandes ideias e os grandes projectos”.

Este é um deles. Acho que chegou a altura, definitivamente, de África olhar para si e ser ambiciosa no sentido positivo de se proteger a si, através dos vários acordos que existem, desde a SADC à União Africana. Como é que podemos fazer os nossos ‘trade agreements’. Isso vai ajudar também a cultura porque não se movimento um produto de um sítio para o outro sem ir com a cultura”, sublinha.

Além disso, a música tem um papel muito importante na luta contra o novo coronavírus: “O papel da música é de nos lembrar, com as histórias, o que somos e onde queremos ir, e também com sonhos, com coisas surreais às vezes, de onde é que a gente quer estar como africanos.”

Uma conversa onde o ainda compositor, produtor e etnomusicólogo, com vários prémios e nomeações para os All African Music Awards, fala ainda sobre as dificuldades para os músicos em tempos de pandemia e sobre as saudades do público sobretudo num continente onde "a música é como religião".

Moreira Chonguiça, Saxofonista moçambicano

 

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