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#Moçambique/Refugiados

Amnistia Internacional alerta para "aldeias inteiras obrigadas a fugir" no norte de Moçambique

Fotografia tirada a 24 de Agosto de 2019 a mostrar os restos de uma casa na Aldeia da Paz, na província de Cabo Delgado, após mais um ataque na região.
Fotografia tirada a 24 de Agosto de 2019 a mostrar os restos de uma casa na Aldeia da Paz, na província de Cabo Delgado, após mais um ataque na região. AFP - MARCO LONGARI
Texto por: Orfeu Lisboa | Carina Branco
3 min

A Amnistia Internacional alerta que há "aldeias inteiras de pessoas obrigadas a fugir" no norte de Moçambique. Neste Dia Mundial dos Refugiados, 20 de Junho, a ONG também acusa Moçambique de manter 16 refugiados na prisão há 18 meses em condições desumanas, enquanto um representante da ONU apontou Moçambique como um país que “cria um ambiente em que os refugiados e requerentes de asilo podem ter uma vida condigna”.

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As autoridades da província de Nampula falam em mais de cinco mil deslocados que fogem da violência armada em Cabo Delgado, no norte do país. O director-executivo da Amnistia Internacional Portugal, Pedro Neto, fala em "aldeias inteiras de pessoas obrigadas a fugir" e pede acções a Moçambique e à comunidade internacional, nomeadamente à CPLP.

Que a comunidade internacional tenha atenção àquilo que se está a passar no norte de Moçambique, com aldeias inteiras de pessoas a terem que fugir e a serem também elas deslocalizadas internamente. A situação que se vive é, de facto, muito delicada. A escalada da violência não tem parado. É preciso, tanto o governo moçambicano, como o mundo –e neste casos especialmente os países da CPLP – têm essa obrigação especial de dar atenção e de olhar para esta realidade que está a acontecer e unirem esforços para que ela termine”, afirma Pedro Neto.

Pedro Neto, Director-Executivo da Amnistia Internacional Portugal

Entretanto, esta sexta-feira, o ministro português dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, disse que Portugal está disponível para a construção de uma solução internacional que permita a Moçambique lidar melhor com os ataques terroristas no norte do país e que são responsáveis pela fuga da população.

 

Amnistia Internacional alerta para tratamento desumano de 16 refugiados detidos sem acusação há 18 meses

Neste Dia Mundial dos Refugiados, a Amnistia Internacional também acusa Moçambique de manter 16 refugiados na prisão há 18 meses em condições desumanas. “Há um ano e meio foram detidos quando estavam num campo de refugiados em Moçambique. Temos a notícia de que foram detidos e espancados pela polícia e estão há 18 meses sem uma acusação formal, sem perceberem porque é que foram detidos. Alguns destes refugiados são do Congo e foram deportados, mas essa deportação falhou. Foram retidos à entrada do aeroporto em Kinshasa e voltaram para Moçambique de novo e assim continuam nesta situação”, denuncia Pedro Neto.

Porém, o representante interino do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, Samuel Chakwera, apontou Moçambique como um país que “cria um ambiente em que os refugiados e requerentes de asilo podem ter uma vida condigna”: “Penso que Moçambique é dos países que cria um ambiente em que os refugiados e requerentes de asilo podem ter uma vida condigna. O problema que eles apresentam tem a ver com a renovação de documentos de identificação”.

Calcula-se que haja 26 mil refugiados em Moçambique, sendo provenientes na sua maioria do Corno de África e residindo no campo de refugiados de Maretane, em Nampula, no norte de Moçambique.

Reportagem de Orfeu Lisboa sobre Dia Mundial dos Refugiados

 

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