Acesso ao principal conteúdo
Brasil/Moçambique/Justiça

Brasil procura cidadão moçambicano cabecilha do PCC o gang mais criminoso do país

Logótipo do Primeiro Comando da Capital - PCC - o mais poderoso e criminoso gang do Brasil, cujo líder actual seria o cidadão moçambicano  Marcos Roberto de Almeida, mais conhecido por "Tuta", procurado pela polícia federal.
Logótipo do Primeiro Comando da Capital - PCC - o mais poderoso e criminoso gang do Brasil, cujo líder actual seria o cidadão moçambicano  Marcos Roberto de Almeida, mais conhecido por "Tuta", procurado pela polícia federal. © PCC
9 min

Polícia brasileira lançou um mandado de captura contra o cidadão moçambicano Marcos Roberto de Almeida, mais conhecido por "Tuta", que em 2018 teria sido adido comercial no consulado de Moçambique em Belo Horizonte, Minas Gerais e é considerado o líder e cabecilha do gang mais criminoso e poderoso no Brasil, o Primeiro Comando da Capital ou PCC, as autoridades moçambicanas negam que "Tuta" tenha qualquer vínculo com o Estado. 

Publicidade

O promotor do Ministério Público do Brasil, Lincoln Gakyia, afirmou em conferência de imprensa que a polícia federal lançou um mandado de captura contra o cidadão moçambicano Marcos Roberto de Almeida, mais conhecido por "Tuta", líder do mais poderoso e criminoso gang do Brasil, o Primeiro Comando da Capital e que em Julho de 2018 era adido comercial do consulado de Moçambique em Belo Horizonte, Minas Gerais, no sudeste do Brasil.

De recordar que foi em Moçambique que a Polícia Federal prendeu, em Abril último, Gilberto Aparecido dos Santos, o "Fuminho", considerado o principal fornecedor de droga ao PCC.

‘’Tuta’’ é segundo o promotor do Ministério Público Lincoln Gakyia e os serviços de inteligência do Brasil o sucessor do ex-chefe do gang Primeiro Comando da Capital, ou PPC, Marcos Willians Herbas Camacho, ou "Marcola", de 52 anos de idade que cumpre uma pena de mais de 330 anos de prisão, por ter ordenado a morte de Lincoln Gakiya e do chefe da Coordenadoria dos Presídios da Região Oeste do Estado Roberto Medina, em dezembro de 2018.

‘’É um indivíduo que tem contacto com o consulado, que transita não só no país, mas fora do país e a operação de busca já que não está mais centralizada nas prisões’’, explicou o promotor Lincoln Gakyia durante a conferência de imprensa realizada esta segunda-feira, 14 de Setembro, em São Paulo. 

‘’É o número 1, ele ainda não foi preso e temos equipas na rua, na região metropolitana de São Paulo, hoje, ele é o integrante mais importante, o sucessor de Marcola’’, acrescentou o promotor Lincoln Gakyia, que lidera as investigações. 

Lincoln Gakiya, promotor de justiça do GAECO, Grupo de Actuação Especial no Combate ao Crime Organizado

‘’Tuta’’ que faz parte da chamada "Sintonia Final da Rua" a principal cadeia de comando de PCC fora das prisões, foi um dos alvos da operação Sharks, desencadeada na última segunda-feira, 14 de Setembro, por promotores do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Polícia Militar e o Batalhão de Choque, mas as investigações começaram no primeiro semestre de 2019, com 21 suspeitos, dos quais 8 tinham sido entretanto detidos.

A 14 de Setembro, foram lançados 40 mandados de busca e 12 mandados de prisão na cidade de São Paulo e arredores e foram detidas 8 pessoas, 4 delas em flagrante delito de tráfico de drogas e um dos alvos, foi morto, após ter reagido com disparos ao mandado de prisão.

As investigações indicam que Marcos Roberto de Almeida é suspeito de liderar  planos para executar polícias e autoridades públicas, em represálias às transferências e às acções contra a cúpula do PCC e seria responsável por comandar os integrantes soltos da organização criminosa, mantendo contacto com a cúpula que está na cadeia.

Durante as rusgas, foram apreendidos explosivos, armas, carros de luxo e avultadas somas em dinheiro líquido, e segundo o promotor Mário Luiz Sarrubo, promotor geral de justiça, ‘’Tuta” e os outros 20 criminosos levavam uma vida de luxo e muitos dos seus bens foram apreendidos.

"eram imóveis de alto padrão, com carros de luxo e demonstrando que a cúpula vive de facto muito bem dos lucros auferidos pela organização criminosa", disse Mário Luiz Sarrubo. 

Mário Luiz Sarrubbo, promotor geral de justiça

Em comunicado de imprensa datado de quarta-feira, 16 de Setembro, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Moçambique esclarece que "Tuta" não tem passporte diplomático e nunca teve qualquer vínculo laboral com o Estado moçambicano.

De acordo com o Ministério Público "Tuta" esteve detido por roubo a banco e tráfico de drogas e conheceu "Marcola" na cadeia Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, e estava em liberdade há pelo menos três anos. 

O Ministério Público do Brasil afirma que o Primeiro Comando Central, movimenta cerca de 16 milhões de euros por ano, provenientes do tráfico nacional e internacional de drogas

O gang Primeiro Comando da Capital, tem cerca de 30.000 membros, activos em 22 dos 27 Estados do Brasil, com destaque para São Paulo, onde actua em 90% das prisões, mas as suas actividades alastraram a países vizinhos como a Bolívia, o Paraguai e a Colômbia, foi criado a 31 de Agosto de 1993 no anexo da Casa de Custódia de Taubaté, chamada "Pinharão" a 130 kms de São Paulo, após um massacre a 2 de Outubro de 1992, na prisão de Carandiru, na sequência de uma rebelião que provocou a morte de 111 detidos. 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Acompanhe toda a actualidade internacional fazendo download da aplicação RFI

Página não encontrada

O conteúdo ao qual pretende aceder não existe ou já não está disponível.