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Moçambique reforça pedido de apoio internacional para Cabo Delgado

Passageiros e carga embarcam na praia dos pescadores do bairro de Paquitequete em Pemba, onde este tem sido um dos principais pontos de chegada de deslocados da violência armada em Cabo Delgado. Pemba, Moçambique, 21 de Julho de 2020.
Passageiros e carga embarcam na praia dos pescadores do bairro de Paquitequete em Pemba, onde este tem sido um dos principais pontos de chegada de deslocados da violência armada em Cabo Delgado. Pemba, Moçambique, 21 de Julho de 2020. LUSA - RICARDO FRANCO

A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, Verónica Macamo, voltou a pedir aos países da Europa e América apoio humanitário para os deslocados devido à violência armada em Cabo Delgado. A Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade da Assembleia da República de Moçambique constatou que grande parte da vila de Mocímboa da Praia estava tomada pelos insurgentes.

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A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, Verónica Macamo, pediu apoio para os deslocados ade Cabo Delgado ao Corpo Diplomático da Europa e Américas acreditado em Maputo, com quem manteve hoje uma reunião. A ministra descartou a possibilidade da intolerância religiosa ser a causa dos ataques terroristas em Cabo Delgado no norte de Moçambique.

"Lamentavelmente, o número de moçambicanos deslocados continua a subir dias após dias, havendo necessidade de ajuda urgente", declarou a ministra.

O presidente da Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade da Assembleia da República de Moçambique, António Boene, reconhece que está instalada uma crise humanitária na região e confirma que o porto e o aeroporto de Mocímboa da Praia continuam nas mãos dos insurgentes.

Praticamente, já não estava lá ninguém por causa dos confrontos militares que lá ocorrem quase diariamente. E a data em que nós estivemos lá ainda estavam ocupados”, declarou.

 Enquanto isso, o Provedor de Justiça, Isaque Chande, lançou hoje um veemente apelo de solidariedade interna e externa para com as vítimas dos ataques terroristas em Cabo Delgado: “No sentido de cada um de nós possamos dar uma singela contribuição para aliviar o sofrimento.”

A província de Cabo Delgado é palco há três anos de ataques armados desencadeados por forças classificadas como terroristas. Estima-se que haja entre 1.000 a 2.000 vítimas mortais e, pelo menos, 435 mil deslocados internos. A capital de Cabo Delgado está desde meados de Outubro a receber uma vaga de deslocados, que viajam em barcos precários para Pemba, devido a novos ataques. No total, segundo dados oficiais, chegaram a Pemba cerca de 11.200 deslocados desde 16 de Outubro e as autoridades municipais alertam para a falta de espaço para receber novas pessoas.

Correspondência de Orfeu Lisboa do dia 6 de Novembro de 2020

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