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Moçambique

Moçambique: fez hoje 20 anos que foi assassinado o jornalista Carlos Cardoso

O jornalista Carlos Cardoso.
O jornalista Carlos Cardoso. © DR
Texto por: Liliana Henriques
6 min

Fez hoje 20 anos que o jornalista moçambicano Carlos Cardoso foi morto a tiro no dia 22 de Novembro de 2000, a poucos metros do seu jornal, o Metical, no final de um dia de trabalho. Carlos Cardoso estava, naquela altura, a investigar o desvio de 14 milhões de Dólares do então Banco Comercial de Moçambique que envolvia figuras próximas do poder da época.

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Para recordar o legado do jornalista, o Instituto para a Comunicação Social da África Austral (Misa-Moçambique) prevê organizar nesta segunda-feira um debate subordinado ao tema "Celebrando a vida e obra de Carlos Cardoso: 20 anos após o seu brutal assassinato", o Misa-Moçambique escrevendo no seu comunicado que "o assassínio de Carlos Cardoso foi uma das piores manchas da história do jornalismo e governação, e impactou na imagem do país no capítulo das liberdades de imprensa".

Nascido em 1951 na cidade da Beira, Carlos Cardoso, foi dos mais destacados jornalistas de Moçambique pelas suas investigações nas áreas da economia e da política. Depois de encetar a sua carreira profissional na Agência de Informação de Moçambique, onde chegou a ser director. Nos primórdios dos anos 90, participou no lançamento dos jornais "MediaFAX" e "Savana" do grupo de comunicação social Mediacoop, antes de fundar o seu próprio órgão em 1997, o "Metical", no qual viria nomeadamente a divulgar os nomes dos beneficiários do desvio de 14 milhões de Dólares do Banco Comercial de Moçambique antes da sua privatização em 1996.

Depois de publicar estas informações comprometedoras, no dia 22 de Novembro do ano 2000, Carlos Cardoso foi mortalmente baleado perto das instalações do seu jornal em Maputo, os seis autores materiais do crime tendo sido julgados e condenados em 2003 a penas compreendidas entre 23 e 28 anos de prisão, num contexto de forte pressão internacional.

Neste Domingo, por iniciativa de familiares e colegas, o jornalista foi homenageado no local onde foi assassinado. Ao recordar a figura do seu colega, o jornalista Fernando Lima, dirigente do grupo de comunicação social Mediacoop que se associa à homenagem, considera que subsiste ainda algum mistério em torno deste assassínio.

Fernando Lima, jornalista e dirigente do grupo Mediacoop

Depois do assassínio de Carlos Cardoso, casos semelhantes ensombraram a vida política e social de Moçambique nos anos seguintes.

Para citar alguns, em Agosto de 2001, foi morto o economista António Siba-Siba Macuácua que, na época, estava a investigar um caso de corrupção dentro do Banco Austral, do qual tinha sido nomeado Presidente. Este homicídio nunca chegou a ser esclarecido e ainda recentemente, este ano, a ONG moçambicana Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD) reclamou a responsabilização de quem esteve envolvido neste crime.

Anos mais tarde, o constitucionalista de origem francesa, Gilles Cistac, conhecido por posições que geravam debate na sociedade moçambicana, foi abatido em Março de 2015 em pleno centro da capital. Em Agosto do mesmo ano, o jornalista Paulo Machava foi também mortalmente baleado à luz do dia em Maputo. Estes casos não chegaram igualmente a ser esclarecidos.

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