Moçambique/Forças Armadas

Moçambique: Presidente Filipe Nyusi mexe nas chefias das Forças Armadas

General Eugénio Mussa promovido a Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas de Defesa de Moçambique.
General Eugénio Mussa promovido a Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas de Defesa de Moçambique. © Mozreal
Texto por: Orfeu Lisboa
5 min

O Presidente Filipe Nyusi, promoveu a general do exército e nomeou nesta quinta-feira, 14 de janeiro, Eugénio Mussa para o cargo de Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, trata-se um especialista em infantaria, que liderava o Comando Operacional Norte, entidade responsável pela coordenação das operações de combate contra a insurgência armada, enquanto Bertolino Jeremias Capitine, promovido à patente de tenente-general, é o novo Vice-Chefe do Estado-Maior das FADM.

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Ainda neste mês de janeiro a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral - SADC - deverá reunir-se em sessão extraordinária em Maputo, para debater a situação de segurança na região e particularmente em Moçambique.

Numa altura em que as forças armadas moçambicanas estão envolvidas no combate ao extremismo islâmico na província nortenha de Cabo Delgado, onde desde outubro de 2017 ataques já causaram mais de 2.000 mortes e mais de meio milhão de desalojados, o Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança, mexeu na hierarquia militar.

Nyusiexonerou a 14 de janeiro, alegadamente por motivos de saúde o general Lázaro Henriques Menete e nomeou Eugénio Ussene Mussa, para o cargo de Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas de Defesa de Moçambique e substituiu Raúl Dique por Bertolino Jeremias Capitine, no cargo de vice-Chefe do Estado-Maior das FADM.

Na sua recente visita à Tanzânia, a 11 de janeiro, o Presidente incluiu na comitiva presidencial, o então major-general Eugénio Mussa, sendo a primeira viagem ao exterior dedicada a questões de segurança em que o Presidente da República incluía na sua comitiva uma alta patente das Forças Armadas, um gesto revelador do poder que os militares estão a ganhar no comando das operações em Cabo Delgado, até agora lideradas pela Unidade de Intervenção Rápida da polícia.

Figura carismática nas hostes militares e que até há bem pouco tempo assumia a liderança do Comando Operacional Norte, que lida com o terrorismo em Cabo Delgado, o major-general Eugénio Mussa prometeu na primeira semana de janeiro, fazer de 2021 o ano decisivo para acabar com a insurgência em Cabo Delgado, sendo a primeira vez que uma alta patente das Forças Armadas dava a cara a partir do chamado Comando Operacional Norte, mais de três anos após o início do extremismo violento em Cabo Delgado.

"2021 tem que ser o ano decisivo, de resolvermos o problema que temos, que é de aniquilar os contra-pátria".

Correspondência de Orfeu Lisboa

Natural de Moma, na província de Nampula, Eugénio Mussa, é um especialista em infantaria, que agora tem como grande desafio, coordenar uma força operando por ar, mar e terra, nas duas regiões norte e centro do país, onde se registam confrontos militares atribuidos pelas autoridades à auto-proclamada Junta Militar, dirigida pelo dissidente da Renamo general Mariano Nhongo.

Em 2016, o Presidente Filipe Nyusi exonerou Eugénio Mussa de comandante do exército, substituindo-o por Lázaro Menete, que agora substitui.

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