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Moçambique: Vale vai desistir da exploração de carvão em Moatize

Mina de carvão em Moatize, explorada pela empresa brasileira Vale, que pretende deixar de explorar o carvão em Moçambique, oficialmente para obter a neutralidade nas suas emissões de carbono em 2050.
Mina de carvão em Moatize, explorada pela empresa brasileira Vale, que pretende deixar de explorar o carvão em Moçambique, oficialmente para obter a neutralidade nas suas emissões de carbono em 2050. © Vale
Texto por: Orfeu Lisboa
5 min

A empresa mineira Vale assinou nesta quarta-feira, 20 de janeiro, um acordo para a aquisição das participações da firma japonesa Mitsui na mina de carvão de Moatize, na província de Tete e no Corredor Logístico de Nacala, o que poderá significar o fim das operações da mineradora brasileira em Mocambique, oficialmente com o objectivo de atingir a neutralidade nas suas emissões de carbono até 2050.

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O memorando de entendimento é o primeiro passo para a saída da japonesa Mitsui do negócio de carvão e de acordo com o comunicado de imprensa publicado pela mineira brasileira Vale, trata-se também do primeiro passo para o desinvestimento desta empresa no negócio de carvão.

Porque a Vale, diz a mineradora, pretende tornar-se uma empresa de carbono neutro até 2050 e reduzir 33% de suas emissões até 2030.

Dércio Alfazema investigador do Instituto para a Democracia Multipartidária acredita que a baixa do preço do carvão no mercado mundial estará na origem deste desinvestimento da Vale em Moçambique, mais apela para que sejam asseguradas as mais-valias do negócio para o país, assegurado o futuro dos trabalhadores locais.

"Caberá  também à Vale, e eu acredito que sendo a Vale uma empresa responsável, ceder as suas acções para auma empresa séria, que vai dar continuidade ao negócio e garantir o crescimento do mesmo".

O acordo estabelece os principais termos para a aquisição pela Vale da totalidade das participações da Mitsui: 15% na mina de carvão de Moatize, juntamente com 50% de participação e todos os outros créditos minoritários que a Mitsui detém no Corredor Logístico de Nacala - CLN - aquisições feitas ao preço simbólico de um dólar.

Orfeu Lisboa, correspondente em Maputo

O objectivo das partes é que a saída da Mitsui possa ser concluída durante o ano 2021.

Após o encerramento da transação, a Vale consolidará as entidades do CLN e, portanto, todos os seus activos e passivos, incluindo o Project Finance do Corredor de Nacala, que tem cerca de 2,5 mil milhões de dólares de saldo remanescente”, indica o comunicado de imprensa.

A consolidação do Project Finance implicará aproximadamente 300 milhões de dólares por ano em despesas operacionais na mina de Moatize, associadas à tarifa do CLN”, sublinha a nota.

De recordar que ao longo dos últimos 15 anos, a Vale tem actuado em parceria com os governos de Moçambique e do Malawi, na exploração da mina de Moatize e dos 912 km do CLN.

A Vale continuará a suportar o ramp-up do projecto e manterá todos os seus compromissos com a sociedade e os stakeholders, incluindo obrigações já assumidas quanto a direitos trabalhistas e reassentamentos”, compromete-se a empresa mineira brasileira.

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