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Moçambique: ataques em Palma, população foge e grita socorro

Família fugindo aos ataques na província de Cabo Delgado, num campo de refugiados montado pelo ACNUR
Família fugindo aos ataques na província de Cabo Delgado, num campo de refugiados montado pelo ACNUR via REUTERS - Rui Mutemba/Save the Children

A Comissão Nacional dos Direitos Humanos,  descreve a situação em Palma como de extema violência e pede apoio ao governo e às organizações internacionais, para sanar a crise económica, social e sanitária que desde outubro de 2017 assola Cabo Delgado, no norte de Moçambique e que provocou quase 700 mil deslocados e mais de duas mil mortes.

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O grito de socorro de quem foge dos ataques terroristas os últimos registados desde a última quarta feira, 24 de março, chegaram à Comissão Nacional dos Direitos Humanos, revela Luís Bitone, o presidente desta instituição . 

"Estão encurralados em algumas zonas e eles querem ajuda, portanto do governo, de outras entidades para poderem livrar-se daquelas zonas onde estão encurralados. Recebemos essa mensagem, tentamos canalizar para entidades, que pensamos que podem ajudar, a partir do Ministério da Defesa, das organizações internacionais que actuam aqui e também do Instituto de Gestão, estamos a tentar contactar para ver se conseguimos apoios nesse processo". 

Luis Bitone revela que a situação de insegurança se agravou em Palma. 

"Com os últimos acontecimentos, a situação agravou-se, situação de segurança, situação da realização de condições básicas das populações e temos recebido quase que diariamente noticias daquela zona mas, noticias de aflição". 

A Comissão Nacional dos Direitos Humanos diz o presidente do órgão, está a acompanhar a situação da violência extrema em Cabo Delgado com bastante preocupação. 

Orfeu Lisboa, correspondente em Maputo 26/03/2021

O Ministério da Defesa de Moçambique confirmou na quinta-feira, um ataque armado à vila de Palma, apontando que “as forças de defesa e segurança estão a perseguir o movimento do inimigo e trabalham incansavelmente para restabelecer a segurança e a ordem com a maior rapidez".

O coronel Omar Saranga, porta-voz do Ministério da Defesa, admitiu que as comunicações com Palma estão interrompidas, não havendo, até ao momento, informação sobre vítimas e danos causados.

O Ministério da Defesa apelou a população que foge de Palma a "manter-se vigilante e serena enquanto procura espaços seguros", pedindo colaboração com as autoridades e que "denuncie os terroristas e homens armados para a sua neutralização".

Segundo testemunhos, trabalhadores de diferentes nacionalidades ligados a obras na região de Palma, onde decorrem os projectos de gás do norte de Moçambique, fugiram juntamente com a população após o ataque de grupos armados à sede de distrito.

 

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