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Moçambique: Ataque a operação de resgate em Palma

Aldeia de Chitolo, no norte de Moçambique, foi uma das atacadas pela insurgência armada dos últimos dois anos e meio.
Aldeia de Chitolo, no norte de Moçambique, foi uma das atacadas pela insurgência armada dos últimos dois anos e meio. REUTERS - Mike Hutchings

Em Moçambique, no final da tarde de sexta-feira, foi atacada uma caravana de resgate que saía da vila de Palma, em Cabo Delgado. A vila está sob ataque de rebeldes armados desde quarta-feira. 

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Oiça aqui as últimas informações contadas pelo nosso correspondente em Moçambique, Orfeu Lisboa.

Reportagem de Orfeu Lisboa de 27 de Março de 2021

Contactado pela RFI, o porta-voz do ministério da Defesa Nacional remete para mais tarde qualquer pronunciamento sobre a violência extrema no norte de Moçambique. 

Os números não são oficiais mas relatos apontam para sete vítimas mortais já contabilizadas em consequência dos ataques terroristas que se registam desde quarta-feira na vila sede do distrito de Palma.  Do ministério da Defesa nem uma palavra sobre o que está a acontecer no terreno, contudo, a organização da sociedade civil CDD através do seu Director Executivo, Adriano Nuvunga, não isenta de culpas o Serviço de Informação e Segurança do Estado pelo que está à acontecer na província de Cabo Delgado, sobretudo nesta região onde estão implantados grandes projectos de investimento na área do petróleo e gás. 

As comunicações telefónicas estão cortadas no distrito de Palma e a informação é por isso escassa sobre o evoluir da situação. 

De acordo com a agência France Presse, a vila de Palma, no nordeste de Moçambique e a poucos quilómetros do megaprojecto de gás natural do grupo francês Total, está sob o controlo dos jihadistas que a atacaram na quarta-feira. Os combates continuam na região este sábado.

Esta sexta-feira, ao final da tarde, um novo ataque em Palma, no norte de Moçambique, visou uma caravana de resgate que saía da vila. Uma fonte que acompanha as operações e que foi contactada pela agência Lusa dava conta inicialmente de sete mortos e vários feridos, mas entretanto a mesma fonte disse hoje que o número de vítimas é ainda incerto.

A caravana saiu do hotel Amarula, onde se refugiaram cerca de 200 pessoas desde que o ataque armao à vila começou na quarta-feira, incluindo trabalhadores de várias nacionalidades ligados às empresas que trabalham no projecto de gás natural liderado pela petrolífera francesa Total.

O ministério português dos Negócios Estrangeiros confirmou a existência de um cidadão português ferido no ataque à operação de resgate. De acordo com a agência Lusa, “a embaixada portuguesa em Maputo está a acompanhar a situação e a procurar identificar outros portugueses no local para prestar acompanhamento e apoio”.

A imprensa sul-africana noticia, este sábado, que pelo menos um empreiteiro sul-africano foi morto e vários outros encontram-se desaparecidos após o ataque de ontem. O jornal Citizen indica que pelo menos um trabalhador sul-africano morreu e que vários outros sul-africanos encontravam-se entre os cerca de 200 expatriados retidos num hotel em Palma.

O The Times adianta que dezenas de empreiteiros sul-africanos e de várias outras nacionalidades "são dados como mortos ou capturados" por grupos armados quando tentavam fugir de militantes islâmicos no norte de Moçambique. Este jornal sul-africano refere, citando fontes da segurança, que apenas sete dos 17 veículos que fugiram do hotel conseguiram escapar quando a coluna em que seguiam foi emboscada pelos grupos armados. O jornal ouviu, ainda, a mulher de um dos empreiteiros sul-africanos que disse que dos cerca de 200 expatriados retidos no hotel, onde haviam recebido instruções para aguardar por uma evacuação por mar, 20 foram retirados de helicóptero antes dos restantes 172 tentarem sair por estrada. O The Times escreve, também, que na emboscada dos insurgentes à coluna sul-africana em fuga por estrada "três veículos foram destruídos e sete pessoas foram mortas".

Na quinta-feira, começaram as operações de resgate do hotel para dentro do recinto protegido da petrolífera, a seis quilómetros, acções que continuaram na sexta-feira, quando uma das caravanas foi atacada.

Desde quarta-feira, um número incerto de pessoas está a fugir para a península de Afungi. Até agora, e após três anos e meio de insurgência armada, Palma tinha sido poupada dos ataques.

Na sexta-feira, a Comissão Nacional dos Direitos Humanos de Moçambique pediu apoio para o resgate de cerca de 600 funcionários do Estado que estão nas proximidades de Palma.

A violência está a provocar uma crise humanitária com quase 700 mil deslocados e mais de duas mil mortes.

Algumas das incursões foram reivindicadas pelo autodenominado Estado Islâmico entre Junho de 2019 e Novembro de 2020, mas a origem dos ataques continua a ser investigada.

 

 

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