Moçambique/Cabo Delgado

Moçambique: situação humanitária em Palma é “extremamente preocupante”

Uma mulher dá de mamar ao filho de 1 ano que foi alvejado numa perna enquanto a mãe o levava ao colo da fuga de Palma, na quarta-feira, Pemba, em Moçambique. 29/03/21
Uma mulher dá de mamar ao filho de 1 ano que foi alvejado numa perna enquanto a mãe o levava ao colo da fuga de Palma, na quarta-feira, Pemba, em Moçambique. 29/03/21 LUSA - LUIS FONSECA

Após o ataque que causou dezenas de mortes em Palma, na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, milhares de sobreviventes procuram abrigo nas localidades vizinhas e outros tentam no meio dos escombros encontrar os seus entes queridos.

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Os relatos que chegam do local descrevem uma cidade fantasma ainda com registo de confrontos esporádicos. 

As forças governamentais controlam parte da vila, ao mesmo tempo que procuram de acordo com o Ministério da Defesa, em declarações, esta terça-feira, no terreno, eliminar alguns focos terroristas.

A população que não fugiu a pé e com as trouxas à cabeça em direcção à fronteira com a República Unida da Tanzânia, será agora retirada por terra e por mar até a cidade de Pemba, capital provincial de Cabo Delgado. 

O número de refugiados internos está a disparar em resultado dos ataques jihadistas que nos últimos 3 anos e meio provocaram 2 mil mortos e acima de 700 mil deslocados.

Correspondência de Maputo

A situação humanitária no distrito de Palma é “extremamente preocupante”, considera o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários, num relatório de actualização divulgado hoje.

“Dezenas de civis terão sido mortos e os confrontos entre grupos armados não-estatais e forças de segurança estão alegadamente em curso, pelo sexto dia consecutivo, de acordo com relatórios de várias fontes”, pode ler-se.

A informação sobre a situação é, no entanto, “extremamente difícil de verificar, devido a interrupções nas comunicações na cidade de Palma”, acrescenta o documento.

Para fazer face ao afluxo de deslocados que chegam a Pemba a Cáritas preparou kits com água e bolachas como relatou à agência Lusa Betinha Ribeiro, membro da organização caritativa.

Betinha Ribeiro acrescentou que cada organização humanitária entregará itens diferentes para o primeiro acolhimento à população deslocada que carece de cuidados básicos.

Betinha Ribeiro, Cáritas Pemba

 

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