#Moçambique/Palma

A pesada factura do terrorismo sobre o trabalho em Cabo Delgado

Pemba. 1 de Abril de 2021.
Pemba. 1 de Abril de 2021. AFP - ALFREDO ZUNIGA

A Organização dos Trabalhadores de Moçambique está preocupada com a situação em Cabo Delgado, onde, desde 2017, morreram mais de 2500 trabalhadores e milhares estão deslocados e sem emprego.

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Já lá vão três anos que os ataques terroristas se iniciaram na província de Cabo Delgado. Mais de 2500 trabalhadores de diferentes sectores de actividade foram mortos e 714 mil estão deslocados. Por isso, Alexandre Munguambe, secretário-geral da maior organização sindical do país, a Organização dos Trabalhadores de Moçambique, pediu a intervenção do governo.

No seio destes nossos compatriotas que estão em situação difícil, incluem-se trabalhadores que perderam os seus postos de trabalho. O movimento sindical solidariza-se com as vítimas do terrorismo e encoraja ao governo para que encontre a melhor fórmula  de acabar com o sofrimento destes nossos concidadãos”, afirmou Alexandre Munguambe.

O apelo foi lançado neste 1 de Maio, em que o mundo assinala o dia internacional do trabalhador. Em Moçambique, as cerimónias centrais tiveram lugar na cidade de Nampula, no norte do país, e contaram com a presença da ministra do Trabalho e Segurança Social, Margarida Talapa. Os trabalhadores pedem, também, a retoma da discussão sobre o salário mínimo suspenso há um ano devido à covid-19 e a sindicalização na função pública. 

Oiça aqui a reportagem:

Reportagem de Orfeu Lisboa de 1 de Maio de 2021

Entretanto, o Governo garantiu, na sexta-feira, à empresa francesa Total o seu empenho para restabelecer a segurança em Cabo Delgado, visando a retoma do projecto de gás da petrolífera.

De acordo com a agência Lusa, as promessas foram feitas durante encontros entre os ministros dos Recursos Minerais e Energia de Moçambique, Max Tonela, e da Defesa, Jaime Neto, com o presidente da Total para Pesquisa e Produção, Arnaud Breuillac.

Na segunda-feira, a Total anunciou motivos de "força maior" para ter retirado todo o pessoal do norte de Moçambique, na sequência do ataque do dia 24 de Março à vila de Palma, junto ao projecto de gás.

O projeto da Total, com arranque previsto para 2024, está avaliado em 20 mil milhões de euros e é o maior investimento privado em curso em África. Nele estão ancoradas boa parte das expectativas de desenvolvimento de Moçambique da próxima década.

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