França/Moçambique

Total e terrorismo marcam agenda de Nyusi em Paris

Filipe Nyusi, o chefe de Estado de Moçambique (imagem de arquivo.
Filipe Nyusi, o chefe de Estado de Moçambique (imagem de arquivo. Tiziana FABI / AFP

O Presidente moçambicano está em Paris para participar na Cimeira para o Financiamento das Economias Africanas. Filipe Nyusi reuniu-se, esta segunda-feira, com representantes da Total, o grupo francês que anunciou, no mês passado, a suspensão do projecto de gás natural em Cabo Delgado, palco de ataques terroristas. Em Moçambique as expectativas são elevadas.

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O Presidente moçambicano reuniu-se, na manhã desta segunda-feira, com responsáveis da Total, um mês depois de o grupo ter anunciado a suspensão, alegadamente temporária, do projecto de gás natural liquefeito em Cabo Delgado. Filipe Nyusi viu, ainda, outros gigantes franceses: a companhia de aviação Air France e o banco Société General. 

O Presidente moçambicano está em Paris para participar na Cimeira para o Financiamento das Economias Africanas. 

A Cimeira para o Financiamento das Economias Africanas pretende criar um "pacote de ajuda massiva" para África no contexto do impacto da pandemia de covid-19 e lançar as bases de um novo ciclo de crescimento, que passa pelo apoio ao sector privado. 

A ideia do Presidente Emmanuel Macron e de outros dirigentes é de alocar os Direitos de Tiragem Especial - uma ajuda do FMI concedida aos países em termos de liquidez e que se podem aplicar em tempos de crise - e fornecê-los aos países mais pobres.

Os países africanos podem aceder ao máximo desses Direitos de Tiragem Especial, em função das suas economias -que neste caso seriam cerca de 34 mil milhões de dólares.

Filipe Nyusi faz-se acompanhar pela ministra dos Negócios Estrangeiros, Verónica Macamo, e pelos ministros das Finanças, Adriano Maleiane, e da Energia, Ernesto Max Tonela.

O chefe de Estado moçambicano será recebido, esta terça-feira, por Emmanuel Macron. A luta contra o terrorismo no norte de Moçambique e a suspensão do projecto de gás do grupo Total, em Cabo Delgado, devem marcar a agenda.

Na semana passada, Filipe Nyusi disse que o país não vai conseguir, "sozinho, erradicar o terrorismo" porque se trata de um fenómeno que não respeita fronteiras e agradeceu a ajuda dos parceiros  internacionais.

O Presidente moçambicano vai encontrar-se também com o primeiro-ministro português, António Costa. Os dois países assinaram, a 10 de Maio, um acordo de cooperação para os próximos cinco anos, até 2026.

O acordo vai quadruplicar a presença de militares portugueses em território moçambicano e triplicar o volume de investimento. Portugal compromete-se em formar companhias das Forças Armadas, durante três a quatro meses, num período de três anos.

Antonio Juliasse, administrador Apostólico da Diocese de Pemba, espera que destes encontros saia uma ajuda europeia para combater o terrorismo e uma solução para a Total continuar em Moçambique.

“Espera-se, com as influências do governo francês em relação a esta empresa, qual vai ser a abordagem futura. Espera-se do governo francês uma intermediação para que os apoios necessários cheguem a Moçambique. Espera-se mesmo uma advocacia europeia para combater o terrorismo, porque o terrorismo está a acontecer em Cabo Delgado”, explicou. 

DOM António Juliasse, administrador Apostólico da Diocese de Pemba

Manuel Nota, director da ONG Cáritas, em Pemba, espera que o Presidente moçambicano regresse ao seu país com algum apoio para resolver a crise humanitária e económica que se instalou em Cabo Delgado. 

“Esperamos que o Presidente volte de Paris com algum apoio. Qualquer apoio, para nós, será bem-vindo, mas o que nós queríamos era ver a questão dos ataques terminados. A economia de Cabo Delgado sofreu bastante desde que os ataques começaram”, salientou.

Manuel Neto, director da Cáritas em Pemba

 

O norte de Moçambique é desde 2017 palco de ataques terroristas, alguns ataques foram reclamados pelo grupo “jihadista” Estado Islâmico. A onda de violência já provocou mais de 2.500 mortes e 714.000 deslocados.

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