Moçambique

Renamo lança repto para Filipe Nyusi se pronunciar sobre 'dívidas ocultas'

Filipe Nyusi, le président mozambicain, le 9 juillet 2019.
Filipe Nyusi, le président mozambicain, le 9 juillet 2019. Tiziana FABI / AFP

Segundo a Renamo, mais do que os simples discursos de praxe sobre o combate a corrupção, na sua governação, o chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, deve pronunciar-se sobre o caso das 'dívidas ocultas' no qual é citado como beneficiário das dívidas que lesaram o Estado em 2,2 mil milhões de Dólares. 

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Foi através de Venâncio Mondlane, deputado da Assembleia da República, que o principal partido da oposição em Moçambique lançou um desafio ao chefe de Estado, Filipe Nyusi, para transformar em prática o seu discurso de combate a corrupção. 

"Se a figura do Presidente da República está associada, eu penso também que é um momento nobre para ele mesmo dar corpo ao seu grande discurso de luta contra corrupção", comentou o deputado. 

A Renamo quer, por outro lado, que Filipe Nyusi, Ministro da Defesa na época da descoberta das 'dívidas ocultas', se coloque à disposição da justiça para ser ouvido no caso em que o Estado saiu lesado em 2,2 mil milhões de Dólares. 

"Faria história se Filipe Nyusi fosse o primeiro a pôr à disposição, levantar todas as suas imunidades e dizer que 'eu estou disposto a ir à justiça' e responder sobre todos os elementos que forem propiciatórios de acrescentarem valor no esclarecimento destas dívidas, no esclarecimento destas questões", considerou ainda Venâncio Mondlane.

O julgamento do caso das 'dívidas ocultas' que se iniciou na semana passada, no dia 23 de Agosto, vai ouvir 19 réus e 70 declarantes, até Novembro, conforme anunciado ontem pelo Tribunal Judicial da Cidade de Maputo. Com efeito, a duração do julgamento que inicialmente devia decorrer apenas até Outubro foi alterada a pedido do advogado de um dos arguidos que pretende chamar a depor Jean Boustani, o negociador da empresa de estaleiros navais Privinvest, com sede em Abu Dhabi, acusado de pagar subornos a algumas das personalidades colocadas em acusação.

O caso das ‘dívidas ocultas’ que é considerado o maior escândalo de corrupção de que alguma vez se teve conhecimento no país, diz respeito a empréstimos ascendendo a mais de 2 mil milhões de Dólares contraídos em nome do Estado Moçambicano entre 2013 e 2014, durante o mandato do antigo presidente Guebuza e sem conhecimento do parlamento, num esquema que envolveu altas figuras políticas, bancos internacionais e estaleiros navais.

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