Moçambique

'Dívidas Ocultas': CIP defende que Jean Boustani seja ouvido presencialmente

Empresário libanês Jean Boustani, negociador da Privinvest, grupo naval acusado de ter pago subornos a várias figuras envolvidas no caso das 'Dívidas Ocultas'
Empresário libanês Jean Boustani, negociador da Privinvest, grupo naval acusado de ter pago subornos a várias figuras envolvidas no caso das 'Dívidas Ocultas' © DR

O Centro de Integridade Pública defende que Jean Boustani, negociador da Privinvest acusado de ter pago subornos a algumas das personalidades envolvidas no caso das 'Dívidas Ocultas', deve ser ouvido de forma presencial no julgamento deste escândalo que está a decorrer desde a semana passada. Isto sucede depois de os advogados de defesa de um dos arguidos, o filho do antigo chefe de Estado, Ndambi Guebuza, terem pedido que o empresário seja ouvido por videoconferência.

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Baltazar Fael, investigador do CIP defende a pertinência de Jean Boustani, da Privinvest vir a ser ouvido pela justiça moçambicana, de forma presencial e não por videoconferência como proposto pelos advogados de Ndambi Guebuza, filho mais velho do antigo presidente da República de Moçambique. "Seria bom mesmo é que tivéssemos uma uma presença física de Jean Boustani porque do julgamento com a presença física retiram-se várias ilações do depoimento do declarante, da forma como ele responde. Quer dizer, há vários traços que são tirados de uma audição feita em directo, com a pessoa presente", considera o pesquisador.

Edson Cortez, director do CIP, diz igualmente que esta organização da sociedade civil quer ver o antigo chefe de Estado, Armando Guebuza, responder perante a justiça. "O Presidente da República é o responsável pelo que aconteceu. É responsável porque não mandou o documento ao parlamento para haver uma discussão como a lei previa, porque era um negócio que aumentava grandemente o endividamento do país. Um processo contra o antigo presidente da República faz todo o sentido", comentou este responsável.

Mais pormenores com Orfeu Lisboa.

Correspondência de Orfeu Lisboa do dia 2 de Setembro de 2021
Correspondência de Orfeu Lisboa do dia 2 de Setembro de 2021

O julgamento do caso das 'Dívidas Ocultas' decorre hoje pelo oitavo dia, com o interrogatório de Bruno Langa, o quarto dos 19 réus a serem ouvidos neste caso. Bruno Langa, amigo de longa data de Ndambi Guebuza, reconheceu hoje perante a justiça ter recebido 8,5 milhões de Dólares em 2013 por parte da Privinvest, grupo com sede em Abu Dhabi que possui estaleiros navais acusada do pagamento de subornos alimentados pelas dívidas ocultas. Para o réu, o auferimento deste valor “é a prova do trabalho que fez (para a Privinvest)" na qualidade de consultor em hotelaria e imobiliária. "Não se dá dinheiro sem trabalhar”, argumentou Bruno Langa.

Questionado sobre facturas apresentadas no Tribunal incluindo o recibo da compra de um Ferrari, várias habitações em Moçambique e uma na África do Sul, bem como a importação de gado, Bruno Langa disse "não saber" e "não se lembrar" se estas despesas tinham sido suportadas com o dinheiro que recebeu da Privinvest.

No julgamento do caso das 'Dívidas Ocultas' que decorre desde o passado dia 23 de Agosto até pelo menos ao mês de Novembro, está a ser recolhido o depoimento de 19 réus e de 70 declarantes. O caso das ‘dívidas ocultas’ que é considerado o maior escândalo de corrupção de que alguma vez se teve conhecimento no país, diz respeito a empréstimos ascendendo a mais de 2 mil milhões de Dólares contraídos em nome do Estado Moçambicano entre 2013 e 2014, durante o mandato do antigo presidente Guebuza e sem conhecimento do parlamento, num esquema que envolveu altas figuras políticas, bancos internacionais e estaleiros navais.

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