Moçambique

Polícia moçambicana reitera que não há indícios da existência de uma vala comum

Gorongosa, província de Sofala, em Moçambique
Gorongosa, província de Sofala, em Moçambique http://www.geos.ed.ac.uk/miombo/Location.html

Poucos dias depois de surgirem revelações na semana passada da possível existência de uma vala comum na Gorongosa, no centro do país, continuam a surgir vozes a exigir o esclarecimento desta situação. Na oposição, a Renamo reclama um inquérito internacional e no mesmo sentido, a ONG de defesa dos Direitos Humanos Human Rights Watch pede que se realize um inquérito urgente e imparcial sobre este caso.

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A polícia contudo manteve hoje os desmentidos proferidos há dias pelas autoridades locais referindo que não há indícios que comprovem a existência da vala comum. Em conferência de imprensa, Inácio Dina, porta-voz do comando geral da polícia de Moçambique lamenta a atitude dos órgãos de comunicação social que deram esta informação e pede a sua colaboração para localizar a alegada vala comum e ouvir os testemunhos citados.

Inácio Dina, porta-voz do comando geral da PRN, em declarações recolhidas pelo correspondente Orfeu Lisboa

Foi neste contexto algo tenso que o Presidente português Marcelo Rebelo de Sousa iniciou hoje 4 dias de visita oficial a Moçambique, a sua primeira visita na qualidade de Presidente a um país que designa como "a sua segunda pátria". Ainda antes de encetar esta deslocação, o chefe de Estado português esteve em Roma onde manteve contactos com a Comunidade de Sant'Egidio, actor-chave do Acordo Geral de Paz de Moçambique concluído em 1992. Nada filtrou sobre o teor deste encontro, Marcelo Rebelo de Sousa tendo-se igualmente mostrado prudente quanto a uma possível acção de Portugal para mediar o conflito entre o partido no poder e a Renamo.

Noutro quadrante, soube-se igualmente que o grupo de doadores do chamado G14 actualmente presidido por Portugal e que financia em cerca de 40% o Orçamento Geral do Estado decidiu suspender a ajuda a Moçambique na sequência da revelação de dívidas de mais de mil milhões de Dólares garantidas pelo Estado ocultadas nas contas públicas e instituições de Bretton Woods. Esta decisão que só deveria ser oficial quando for comunicada ao executivo moçambicano, acontece poucos dias depois do FMI e em seguida o Banco Mundial terem igualmente anunciado a suspensão da sua cooperação com Maputo.

 

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