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Moçambique

Moçambique: inquérito à fuga e assassínio de dois prisioneiros

Maputo, a capital de Moçambique
Maputo, a capital de Moçambique DR
5 min

O Ministro moçambicano do Interior ordenou a realização de um inquérito à fuga e posterior assassínio de dois prisioneiros, cujos corpos foram encontrados enterrados nos arredores de Maputo.

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O Ministro moçambicano do Interior Jaime Basílio Monteiro ordenou a realização de um inquérito à fuga em circunstâncias "estranhas" e posterior assassinato dos prisioneiros José Aly Coutinho e Alfredo Muchanga, cujos corpos foram encontrados enterrados na vila da Moamba, província de Maputo dia 5 de Maio passado.

Jaime Basílio Monteiro nega o envolvimento da polícia neste acto e diz estar a investigar presumíveis mandantes, afirmando "a nossa obrigação é recomendar à polícia para prosseguir com as investigações de forma a localizar os autores morais, aqueles que prepararam o acto de sequestro e ordenaram esta fatalidade, segundo, também encontrar os autores materiais, o que é facto é que não é provável que tenha sido a polícia".

Orfeu Lisboa, correspondente em Maputo

O ministro reagia assim às declarações de Gilberto Correia, antigo bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique para quem a morte destes reclusos pode indiciar "queima de arquivo" e mostra a "promiscuidade entre a criminalidade organizada e as instituições do Estado responsáveis pelo combate ao crime".

Também o actual bastonário Flávio Menete afirmou desde logo que "muita coisa estranha neste processo...a viatura de escolta com sirenes parou num semáforo...tratando-se de pessoas condenadas o interrogatório deveria ser no local de reclusão... não se percebendo porque os retiraram de uma cadeia de segurança extrema para uma esquadra". 

Os dois reclusos tinham sido "resgatados" a 24 de Abril num ataque a um carro celular, em Maputo, perpetrado por um grupo de quatro homens armados e encapuzados, até aqui desconhecidos, mas que segundo a polícia devem ser comparsas do crime, que foi filmado por uma equipa da STV à qual os habitantes nas imediações afirmaram ter ouvido tiros.

A PGR lançou então três mandados de captura internacional contra Alfredo Muchanga, José Aly Coutinho e o seu alegado mandante Momad Assif Abdul "Nini" Satar solto da prisão em 2014 depois de ter cumprido metade da pena de 24 anos de prisão pela sua participação no assassínio do jornalista Carlos Cardoso em 2000 e que se encontra algures no estrangeiro.

Ambos estiveram presos ao mesmo tempo na cadeia de alta segurança de Maputo e José Coutinho deveria estar em posse de informações importantes sobre os gangues de sequestradores, o que pode ter motivado o seu assassínio.

José Aly Coutinho era um dos três suspeitos de homícidio, a 11 de Abril de 2016, do procurador Marcelino Vilanculo, que investigava raptos de homens de negócios e que envolveria o próprio Coutinho, sendo que dos três suspeitos apenas o suposto atirador Amade António Mabunda continua preso, dado que o condutor da viatura que conduziu os assassinos Abdul Tembe fugiu da prisão em Outubro passado em circunstâncias estranhas, o que levou à detenção do director da prisão Castigo Machaieie (entretanto libertado) e de oito guardas prisionais.

Os corpos de José Aly Coutinho e Alfredo Muchanga que cumpriam penas por participação em raptos, extorsão e assassinatos foram descobertos por residentes no distrito de Moamba, 70 Km de Maputo e posteriormente identificados por familiares na morgue do Hospital Central de Maputo, que afirmaram haver sinais de tortura nos corpos.

 

 

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