Israel/EUA

Israel vai continuar a construir nos territórios ocupados

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu durante seu discurso na AIPAC, principal lobby judaico dos Estados Unidos.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu durante seu discurso na AIPAC, principal lobby judaico dos Estados Unidos. Foto: Reuters

Durante reunião com Barack Obama nesta terça-feira, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não se comprometeu a interromper construção de novas casas em Jerusalém leste e na Cisjordânia. Obama pediu à Israel que pelo menos deixe de anunciar novos projetos de colonização.

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Na tentativa de colocar um fim na crise diplomática entre Estados Unidos e Israel, o presidente americano, Barack Obama, reuniu-se nesta terça-feira durante uma hora e meia com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na Casa Branca. O impasse que envolve o fim da construção dos assentamentos nos territórios ocupados, entretanto, está longe de ser solucionado. Obama não obteve nenhuma promessa do premiê em relação às construções de moradias em Jerusalém Oriental e Cisjordânia. Para os palestinos, a interrupção da colonização é uma exigência para a retomada do processo de paz. Há cerca de duas semanas, durante a visita do vice-presidente Joe Biden à região, Israel anunciou a construção de 1600 novas casas, estremecendo as relações entre os dois países e provocando uma das piores crises das últimas décadas. A Casa Branca considerou o anúncio um “insulto.” Biden estava em Israel justamente para tratar do reinício das negociações entre israelenses e palestinos.
Segundo oficiais da Casa Branca, os EUA e Israel “concordaram em discordar.” O presidente Obama deixou de exigir que Netanyahu pare de construir novos assentamentos e pediu que o primeiro-ministro israelense simplesmente deixe de anunciá-los. A estratégia que foi batizada de “não pergunte, não fale” pelas autoridades, em referência à política de aceitação de gays assumidos nas Forças Armadas dos EUA, que teve pouca divulgação.

Patricia Campos Mello, correspondente da RFI em Washington

A reunião entre Obama e Netanyahu começou às 17h30 e foi fechada para a imprensa, o que demonstra como a situação é delicada. “Não houve comunicado conjunto ao fim do encontro, como é de praxe nessas situações” diz a correspondente da RFI em Washington, Patrícia Campos Mello. Na noite de segunda-feira, o primeiro-ministro israelense já havia dado indicações de que não estava disposto a fazer concessões.
Em discurso na conferência da Aipac,  o principal lobby judaico dos Estados Unidos, Netanyahu afirmou que Israel “tem o direito de construir em Jerusalém.” “Jerusalém não é um assentamento, é nossa capital”, disse.  Biden estava em Israel justamente para tratar do reinício das negociações entre israelenses e palestinos.
Na terça-feira de manhã, Netanyahu fez um giro por Washington, encontrando-se com várias lideranças políticas. No Congresso, o premiê foi recebido calorosamente. “O Congresso fala com uma só voz a favor de nosso aliado, Israel”, disse a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, acompanhada de legisladores republicanos. Netanyahu foi ainda mais enfático ao falar com Nancy, afirmando que o reinício das negociações poderia demorar ainda mais se os palestinos não desistissem de pedir a suspensão das construções nos assentamentos. “Não podemos cair na armadilha de uma exigência que não é lógica nem razoável”, disse o premiê. “Isso poderia deixar as negociações de molho por mais um ano.”
 

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