Irã/Nuclear

Brasil, Irã e Turquia voltam a discutir acordo para troca de combustível nuclear

Imagens do fundador da República Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini, e do atual líder Ali Khamenei decoram as obras do complexo de produção de energia de Asalouyeh, a 900 km de Teerã.
Imagens do fundador da República Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini, e do atual líder Ali Khamenei decoram as obras do complexo de produção de energia de Asalouyeh, a 900 km de Teerã. Reuters

Os chanceleres dos três países se encontram neste domingo, em Istambul, para discutir a aplicação do acordo tripartite assinado em maio entre Brasil, Irã e Turquia visando a troca de combustível nuclear iraniano no exterior. O chanceler brasileiro, Celso Amorim, iniciou neste sábado nova visita a vários países do Oriente Médio com o objetivo de aumentar a influência do Brasil nas negociações dos conflitos regionais  

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Apesar do fracasso da mediação brasileira em evitar novas sanções contra o Irã, o Itamaraty continua empenhado em aumentar o papel do Brasil nas negociações dos grandes conflitos internacionais. A maior cartada da diplomacia brasileira na história recente, envolvendo as negociações sobre o programa nuclear iraniano, terminou com vitória das potências ocidentais e a adoção de sanções reforçadas contra o Irã. Mesmo assim, o chanceler Celso Amorim vai se reunir com os colegas iraniano Manouchehr Mottaki e turco Ahmet Davutoglu, em Istambul, para discutir de que forma o acordo celebrado entre Brasil, Irã e Turquia, no dia 17 de maio passado, poderia tomar forma. Segundo os termos do acordo apresentado às grandes potências, o Irã se compromete a entregar 1.200 kg de urânio de baixo enriquecimento (3,5%) à Turquia em troca de 120 kg de combustível nuclear destinado ao reator de pesquisas médicas de Teerã.

O chanceler Celso Amorim faz um novo giro aos países do Oriente Médio, com etapas na Turquia, Cisjordania, Israel e Síria. O Brasil defende a participação de novos atores no processo de paz e o diálogo com todos os países da região. Amorim iniciou a turnê neste sábado com uma escala na Líbia.

O governo iraniano anunciou a suspensão de todas as transações com os países que aplicarem as sanções do Conselho de Segurança da ONU, dos Estados Unidos e da União Europeia contra bens iranianos no exterior. O diretor-adjunto do Banco Central iraniano, Hamid Borhani, disse que Teerã vai suspender o comércio com todos os países que bloquearem o acesso aos depósitos iranianos no exterior. "Nós devemos proteger nossos interesses", disse Borhani.

A quarta rodada de sanções para punir o Irã e seu programa nuclear suspeito de viés militar atinge os fundos iranianos depositados no exterior. Medidas adotadas por norte-americanos e europeus prevêm o congelamento de contas iranianas em euros e dólares suspeitas de financiar a fabricação e a compra de armas e material nuclear. Quinto maior produtor de petróleo do mundo, o Irã estuda aceitar outras moedas no pagamento de suas exportações de petróleo e, com isso, criar um atalho para escapar das sanções.

Em junho, os Emirados Árabes Unidos, aliados de Washington, instruíram as instituições financeiras da federação a bloquear todas as contas pertencentes às empresas suspeitas de financiar atividades visadas pelas sanções.

Irã vai investir US$ 8 milhões em pesquisas para obter fusão nuclear

O governo iraniano criou um fundo de US$ 8 milhões destinado à realização de pesquisas para dominar o processo de fusão nuclear. O anúncio foi feito neste sábado pelo chefe da Organização Iraniana de Energia Atômica (OIEA), Ali Akbar Salehi.Segundo o chefe da OIEA, o governo iraniano já recrutou 50 pessoas para participar do projeto que existe há mais de 30 anos mas nunca saiu do papel. Salehi estima que serão necessários de 20 a 30 anos para que o Irã consiga dominar a tecnologia da fusão nuclear e, no futuro, tirar algum proveito comercial. Durante muito tempo, a fusão nuclear foi apresentada como uma fonte de energia limpa e econômica. Mas apesar das pesquisas realizadas desde a década de 50, nenhum país conseguiu até hoje aplicar o processo de fusão nuclear na produção de energia.

Esse novo anúncio do Irã na área nuclear demonstra a persistência do país em diversificar sua matriz energética, apesar das sanções internacionais contra um suposto uso militar desse potencial nuclear.

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