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Israel/Palestinos

Obama pede que Abbas e Netanyahu não percam a oportunidade para selar a paz

Primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, durante evento sobre as negociações de paz no Oriente Médio, na Casa Branca.
Primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, durante evento sobre as negociações de paz no Oriente Médio, na Casa Branca. REUTERS
9 min

Começam nesta quinta-feira em Washington as conversações diretas entre Israel e a Autoridade Palestina sobre o processo de paz no Oriente Médio. Às vésperas da retomada oficial dos diálogos, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se reuniu separadamente com o líder da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. A nova rodada de discussões contará com as presenças do presidente Hosni Mubarakd do Egito e do rei Abdullah II da Jordânia, países que têm relações diplomáticas com Israel.

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De nossas correspondentes Cleide Klock, de Nova York, e Nathalia Watkins, de Jerusalém,

O presidente americano tenta fazer o que antecessores quiseram e não conseguiram – que Israel conviva lado a lado com um estado palestino democrático e independente. Para chegar a esse fim, pediu no encontro reservado com os principais protagonistas das discussões na quarta-feira para que eles sejam corajosos e façam concessões para avançar o processo de discussões.

Obama afirmou que teve progresso nas primeiras reuniões e durante à tarde condenou o assassinato, de quatro isralenses na Cisjordânia na terça-feira, assumido pelo grupo radical Hamas. O presidente dos Estados Unidos, disse que "extremistas" não vão atrapalhar a retomada das negociações de paz.

Durante à noite, pouco antes do jantar oferecido pela Casa Branca aos líderes, todos apareceram juntos, sentados lado-a-lado e Obama disse que "muito sangue já foi derramado, muitos corações já foram partidos e este momento de oportunidade pode não se repetir tão cedo”.

Cleide Klock, correspondente da RFI de Nova York

Esse primeiro dia foi marcado apenas com frases de efeito. Netanyahu chamou Abbas de "meu parceiro na paz" e prometeu acabar com os conflitos "de uma vez por todas". Já o presidente palestino, Mahmud Abbas, solicitou publicamente o congelamento de qualquer atividade de construção de colônias israelenses.

Mas esse deve ser um assunto para ser discutido nessa quinta-feira, quando todos sentarão com a Secretária de Estado Hillary Clinton para tentar, aí sim, negociar a partir das 10 horas da manhã em Washington (11 hs em Brasíla).

Diálogos sobre fronteiras, o status político de Jerusalém, as garantias de segurança para Israel e o direito de regresso dos refugiados palestinos estarão na pauta dessa retomada direta das negociações. Hillary ainda lembro que seu marido, o ex-presidente democrata Bill Clinton, também sentou-se com os líderes desses países para negociar – e não teve sucesso.

A meta de Obama - vista por muitos com ceticismo - é em 12 meses chegar à criação de um Estado palestino que conviva em paz com Israel. O encontro em Washington será o mais recente capítulo de um processo de paz que teve início em 1993 em Oslo, capital da Noruega. Na ocasião, os líder palestino Yasser Arafat e o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, selaram um acordo considerado histórico.

Pessimismo no Oriente Médio

Enquanto as conversas são retomadas em Washington, em Israel e nos territórios palestinos o clima é de tensão e pessimismo. Ramallah, na Cisjordânia, foi palco de um protesto contra a retomada das negociações, suspensas desde dezembro de 2008.

Nos arredores da cidade de Hebron, jovens israelenses queimaram campos e atiraram pedras contra palestinos em resposta ao ataque que matou na terça-feira quatro colonos perto da colônia de Kiriat Arba.

Em uma tentativa de prender os responsáveis pelo ataque, a Autoridade Palestina deteve mais de 300 militantes, pelo menos 150 ligados Hamas, grupo islâmico que reivindica a autoria do ataque. Nos assentamentos, a resposta é a retomada das construções. O conselho Yesha, que representa os colonos, decretou de forma unilateral o fim da moratória de 10 meses nas construções e tratores já podem ser vistos

Nathalia Watkins, correspondente da RFI de Jerusalém

construindo novas casas nas colônias.

O fim oficial do congelamento, previsto para o dia 26 de setembro, é tido como um dos principais obstáculos para as negociações diretas de paz. Segundo uma pesquisa de opinião do canal 10 da TV israelense, dois terços da população no país são a favor da retomada das construções na Cisjordânia de forma parcial ou total, e apenas 21% dos entrevistados desejam que a moratória seja prolongada.

Analistas israelenses acreditam que o atentado de terça-feira tenha sido o primeiro de uma série de ataques que o Hamas organizará na Cisjordânia como tentativa de minar o processo de paz.

 

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