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Egito/Protestos

Protestos no Egito já fizeram 7 mortos e dezenas de feridos

A polícia reprime as manifestações que acontecem em várias cidades do Egito.
A polícia reprime as manifestações que acontecem em várias cidades do Egito. AFP PHOTO/MOHAMMED ABED
8 min

A tensão aumenta no Egito, com mais um dia de manifestações nesta quinta-feira. O movimento de oposição do "6 de abril", que reúne jovens pró-democracia, fez um apelo aos egípcios para que matenham os protestos, inspirados pela revolta popular na Tunísia que levou à deposição do presidente tunisiano Ben Ali. Confrontos entre a polícia e manifestantes foram registrados em várias cidades do norte do país.

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Um manifestante morreu depois de choques violentos com a polícia em um protesto nesta quinta-feira na cidade de Cheikh Zouwayed, ao norte do Sinai. De acordo com testemunhas, Mohamed Atef, de 22 anos, morreu após ser atingido na cabeça por uma bala durante troca de tiros entre manifestantes e as forças de ordem. Os protestos no Egito, que já duram 3 dias, já deixaram 7 mortos – entre eles 5 manifestantes e dois policiais - , dezenas de feridos e mais de mil pessoas detidas.

São os maiores protestos já realizados desde a chegada ao poder do presidente Moubarak, em 1981. Eles pedem a saída do presidente, além de reformas sociais e econômicas. Segundo orgnaizações internacionais, cerca de 40% dos 80 milhões de egípcios vivem com menos de 2 dólares por dia.

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Elaine Magoffi

De acordo com a brasileira Elaine Magoffi, gerente de um centro de estética em Alexandria, a tensão era crescente entre os egípcios devido ao aumento do custo de vida e da pobreza no país. "A gente já vinha sentindo que alguma coisa iria acontecer. O custo de vida está muito caro", disse Elaine em entrevista à Rádio França Internacional. " É muito tempo de um mesmo governo no poder. O povo está cansado’, comenta a brasileira.

Retorno

O egípcio Mohamed El Baradei, prêmio Nobel da Paz, ex-diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica e um dos principais opositores do regime do presidente Hosni Mourabak, anunciou nesta quinta-feira que vai participar dos protestos. Ele deve retornar ao país hoje à noite, para participar das manifestações de sexta-feira.

Antes de embarcar para o Cairo, El Baradei disse, em Viena, que está disposto a dirigir a transição no Egito, se tiver apoio popular.  "Se a população quiser que eu dirija a transição, eu não a decepcionarei", garantiu El Baradei antes de subir no avião que o levaria da Áustria para o Egito. Ele disse que seu retorno é motivado pela disposição em ver que " tudo aconteça de maneira pacífica e normal".

El Baradei, de 68 anos, não tem partido político oficial mas fundou o movimento Associação Nacional para a Mudança, que prega reformas democráticas e sociais e apoia os protestos atuais.

O governo francês voltou a fazer um apelo nesta quinta-feira para que as autoridades egípcias respeitem a liberdade de expressão e o direito das centenas de pessoas que foram detidas no Egito. A União Europeia também pede que as autoridades do país respeitem o direito da populaçao de se manifestar.

Bomba-relógio

Os protestos no Egito confirmam a revolta da juventude do país, amplicada pela internet, que se tornou uma bomba-relógio segundo análises de especialistas. Em mais de 30 anos de poder de Hosni Moubarak, a população do país praticamente dobrou, atingindo 80 milhões de pessoas.

Além do aumento de custo de vida, a taxa de desemprego no país, que se situa  entre 11% e 17% desde 1988, de acordo com números extra-oficiais do centro de estudos independente Global Policy Network, é um dos fatores de descontentamento da população.

"É uma bomba relógio que deveria explodir um dia", disse o politólogo Hishan Kassem à agência de notícias AFP.
 

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