Unesco/relatório

20% dos moradores de zonas de risco são analfabetos , diz relatório da Unesco

Crianças iraquianas levando brinquedos doados por uma associação em Kerbala, a 80 km Bagdá, 28 fevereiro 2011.
Crianças iraquianas levando brinquedos doados por uma associação em Kerbala, a 80 km Bagdá, 28 fevereiro 2011. Reuters

Vinte e oito milhões de crianças no mundo estão fora da escola por conta de guerras que as deixam expostas aos ataques aos estabelecimentos ou às violências sexuais. A informação, mais do que preocupante, está no relatorio da Unesco divulgado nesta terça-feira.

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Uma crise encoberta. É assim que a Unesco chama o seu novo relatório que expõe uma triste realidade mundial. Quase a metade das 67 milhões de crianças no mundo que não são escolarizadas mora em países que sofrem conflitos armados. Ou seja, em muitos dos casos, não vão à escola ou porque têm medo de sair nas ruas ou simplesmente porque a instituição de ensino foi destruída em ataques.

É o caso do Afeganistão, que teve nada menos que 613 escolas atacadas em 2009 e mais 347 em 2008. Outro problema relatado pela Unesco em países em conflito é que a violência sexual contra menores é utilizada como tática de guerra. Resultado: menos meninas nas salas de aula.

Nos últimos dez anos, foram registrados conflitos armados em pelo menos 35 países, o que representa quase um quinto do planeta. Nesses lugares, duas em cada dez pessoas são analfabetas.

A Unesco explica que a ajuda financeira internacional está longe de ser suficiente para que todos tenham direito a estudar. Apenas 2% da assistência humanitária, o equivalente a 150 milhões de dólares, são direcionados à educação.

O cálculo feito no relatório para solucionar o problema chega a ser irônico: "se os países ricos transferissem para a educação das nações pobres suas despesas militares relativas a seis dias, eles conseguiriam juntar 16 bilhões de dólares e assim colocar todo mundo na escola.
 

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