Líbia/intervenção militar

EUA preparam frota aérea e naval em caso de intervenção na Líbia

O porta-avião americano Enterprise.
O porta-avião americano Enterprise. AFP/JOSE JORDAN

Segundo o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, o governo americano está considerando todas as possibilidades contra Kadafi e seus aliados, inclusive uma ajuda militar aos manifestantes. O Pentágono anunciou nesta segunda-feira o reposicionamento da sua frota naval e aérea no Mediterrâneo, e as negociações para a criação de uma zona de exclusão na Líbia. Um ataque ao país, entretanto, não é iminente, ressaltou a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, nesta segunda-feira.

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Dois navios, o porta-aviões Enterprise e o porta helicópteros Keasarge estão na região. Segundo informações do correspondente da RFI em Washington, Raphaël Reynes, as bases da USA Navy em Nápoles, na Itália, podem ser utilizadas para o início de uma ação militar. A estratégia faz parte de "um plajenamento de contingência", segundo o o porta-voz do Departamento de Defesa Dave Lapan, que confirmou hoje a possível criação de uma zona de exclusão aérea, que poderia impedir Kadafi de atacar os rebeldes que já tomaram várias áreas no país. A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, confirmou que o estabelecimento dessa zona é uma possibilidade séria. Rice disse que as ondas de sanções impostas contra a Líbia deveriam fazer os membros do regime pensar nas consequências de suas ações, dizendo que Kadafi "é um alienado."

Raquel Krahenbül, correspondente da RFI em Washington

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama e o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, reuniram-se nesta segunda-feira em Washington para discutir a situação na Líbia. Durante a reunião, também foi anunciado o congelamento de pelo menos 30 bilhões de dólares em ativos líbios – o maior bloqueio da história por conta de sanções. Os americanos também estão em negociação com parceiros da OTAN e com outros aliados sobre uma possível intervenção militar.

O representante das Nações Unidas disse que a comunidade internacional deve ficar unida durante a transição histórica rumo a mais democracia, segurança e prosperidade no Oriente Médio. Ban Ki-moon pediu que o ditador líbio ouça o pedido da população para que renuncie. Obama e Ban Ki Moon discutiram o aumento da violência contra os opositores do governo líbio e também conversaram sobre os próximos passos a serem dados para pressionar o lider do país africano a deixar o governo. Além de sanções econômicas, uma possível intervenção militar também não foi descartada.

Sanções europeias

Nesta segunda-feira a União Européia também anunciou um embargo econômico e de armas contra a o país africano e proibiu a entrada de Kadafi, sua família e assessores nos países europeus. Líderes internacionais afirmam que o objetivo das sanções é impedir que Kadafi use dinheiro que guarda no exterior para contratar mercenários e atacar a população da Líbia.
 

Letícia Fonseca, correspondente em Bruxelas

Para a chefe da diplomacia européia, Catherine Ashton, as sanções adotadas contra a Líbia visam reforçar as medidas recém-impostas pelo Conselho de Segurança da ONU. Em Genebra, após a reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, Ashton declarou que “a violenta repressão aos manifestantes choca a nossa consciência e deve forçar nossa ação”.

Além destas sanções, que devem entrar em vigor esta semana, a UE continua discutindo com os EUA, a possibilidade de impôr uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia. A medida, ainda sem consenso, serviria para evitar bombardeios contra a população. A França anunciou que vai iniciar uma operação de ajuda humanitária para os opositores de Kadafi, na cidade de Benghazi, a leste do país.

O primeiro-ministro francês, François Fillon, disse que os dois aviões vão levar médicos, enfermeiras, remédios e equipamentos médicos. Já a Alemanha propôs um congelamento internacional por 60 dias de qualquer pagamento internacional à Líbia, para assegurar que o regime de Kadafi não receba mais dinheiro para contratar mercenários que reprimam os manifestantes.

Nesta segunda-feira, o procurador-geral do Tribunal Penal Internacional, Luis Moreno Ocampo, anunciou que vai conduzir uma investigação preliminar à repressão na Líbia. Este seria o primeiro passo para uma eventual abertura de um inquérito por crimes contra a humanidade. O Conselho de Segurança da ONU deve apresentar, nos próximos dias, uma denúncia contra Kadafi no TPI. Porém, a Líbia não reconhece a instância internacional, sediada em Haia, na Holanda. França, Itália e Espanha querem discutir a situação na Líbia e as recentes revoltas no mundo árabe, em uma reunião extraordinária do Conselho Europeu, prevista para esta sexta-feira, em Bruxelas.

Com a colaboração de Raquel Krahenbül, correspondente da RFI em Washington e Letícia Fonseca, correspondente em Bruxelas

 

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