Líbia/Crise

Governo do Reino Unido confisca R$ 270 milhões em navio que seguia para a Líbia

Navios de guerra americanos deslocados para a costa da Líbia.
Navios de guerra americanos deslocados para a costa da Líbia. Reuters

O Ministério do Interior britânico informou hoje que um navio contendo notas do Banco da Líbia de um valor equivalente a 270 milhões de reais foi interceptado mais cedo em águas britânicas. A embarcação foi levada até o porto inglês de Harwich. O dinheiro foi confiscado, de acordo com sanções impostas pelas Nações Unidas contra o regime de Muammar Kadafi.

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O Conselho de Segurança da ONU adotou recentemente por unanimidade uma resolução impondo um embargo sobre a venda de armas para a Líbia e a proibição da entrada do ditador líbio Muammar Kadafi e de 16 pessoas ligadas a ele em território da União Europeia. No domingo, o Reino Unido havia bloqueado os bens de pessoas ligadas ao governo líbio que equivalem a 52 bilhões de reais.

O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, afirmou hoje que a Holanda está utilizando todos os meios diplomáticos possíveis para obter a libertação de três soldados holandeses capturados domingo pelas forças pró-Kadafi. Ele não deu detalhes sobre as negociações.

A Interpol emitiu nesta sexta-feira um "alerta laranja" para as polícias dos 188 países associados à organização, informando sobre a periculosidade de Muammar Kadafi e de outros 15 líbios, entre eles membros da família do coronel e assessores do governo líbio. O alerta laranja da Interpol não pede a prisão dessas pessoas, mas oferece informações aos governos para ajudá-los a aplicar as sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU, principalmente o congelamento dos bens do clã Kadafi e a proibição de concessão de vistos à família e assessores diretos. 

Combates no leste da Líbia teriam feito dezenas de mortos

Apesar do controle de Kadafi sobre a capital Trípoli, centenas de opositores ao regime realizaram nesta sexta-feira uma manifestação no bairro de Tadjoura, segundo a agência de notícias Reuters. Ao fim das orações em uma mesquita, eles foram às ruas pedir a saída do dirigente gritando "Kadafi é inimigo de Deus". Os protestos foram reprimidos com uso de bombas de gás lacrimogênio. Segundo um jornalista da Reuters, tiros foram ouvidos durante a confusão. Na Praça Verde também aconteceram protestos.

Vários acessos à capital estão bloqueados pelas forças de segurança do governo. Os jornalistas estrangeiros que estão em Trípoli a convite do ditador têm dificuldade de obter informações sobre os protestos. Cento e trinta repórteres estão hospedados no Hotel Rixos, ao sul de Trípoli e ficam sob vigilância dos soldados de Kadafi. O ditador coloca à disposição dos jornalistas ônibus que os levam a locais escolhidos a dedo, onde não ocorrem manifestações.

Do outro lado do país, na região leste, a cidade de Brega foi novamente alvo de ataques aéreos das forças leais a Kadafi. O ditador tenta retomar as zonas petrolíferas controladas há vários dias pelos insurgentes. Médicos do maior hospital de Brega disseram que há dezenas de mortos e feridos vítimas dos confrontos entre forças pró e anti-Kadafi, sem dar um número preciso de vítimas.

As discussões da comunidade internacional sobre o fechamento de uma parte do espaço aéreo da Líbia para evitar os bombardeios das forças de Kadafi continuam sem consenso. O presidente norte-americano, Barack Obama, afirmou ontem que a medida está em estudo. O ministro da Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, explicou que a criação de uma zona de exclusão aérea seria considerada um ato de guerra e portanto precisaria da autorizaçao do Congresso americano. Além disso, seria necessário um número suplementar de aviões de caça e vigilância, e de militares. Dois navios americanos de guerra que ajudarão a repatriar as pessoas que querem deixar a Líbia já chegaram hoje à base militar da ilha de Creta, na Grécia.

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