Líbia/Sanções

União Europeia prepara novas sanções financeiras contra a Líbia

O ditador da Líbia, Muammar Kadafi, em discurso na TV.
O ditador da Líbia, Muammar Kadafi, em discurso na TV. Reuters

Representantes dos 27 países do bloco europeu devem aprovar nesta terça-feira o congelamento dos ativos do regime líbio vindos do fundo soberano que gerencia a renda do petróleo do país. O ministro alemão das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, defende o bloqueio dos fluxos financeiros em direção à Líbia.

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Os países-membros da União Europeia devem se pronunciar nesta terça-feira sobre a adoção de novas sanções contra a Líbia. Há uma semana, o bloco decidiu sobre o embargo à venda de armas, a proibição de viagens e o congelamento de ativos de 26 autoridades líbias, incluindo o dirigente Muamar Kadafi.

Agora, o alvo principal é a LIA (autoridade líbia de investimento), que gerencia a renda do petróleo do país e comprou nos últimos anos participações em grandes empresas europeias.

Letícia Fonseca, correspondente da RFI em Bruxelas

"Os fluxos financeiros em direção à Líbia devem ser bloqueados", disse o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, em entrevista ao jornal dominical Welt am Sonntag.

Otan examina possibilidade de intervenção militar na Líbia

O presidente americano Barack Obama pediu nesta segunda-feira que sejam examinadas opções militares na Líbia.

"Os colaboradores de Kadafi deverão responder pela violência contra a população", disse o presidente americano, em uma nova declaração sobre a situação no país.

Obama também lembrou que os membros da Otan estão reunidos em Bruxelas para analisar uma ação na Líbia, inclusive militar, em reação à violência no país.

"Quero enviar uma mensagem clara para os colaboradores do coronel Kadafi. É deles a responsabilidade de como eles irão reagir daqui para a frente. Eles terão que se explicar pelos seus atos", disse o presidente americano, na Casa Branca, depois de um encontro com a primeira-ministra australiana, Julia Gillard.

Zona de exclusão aérea

A França e a Grã- Bretanha preparam um projeto de resolução que estabelece uma zona de exclusão aérea na Líbia, com o objetivo de proteger a população dos ataques das forças de Kadafi. O texto deve ser apresentado aos 15 países membros do Conselho de Segurança da ONU ainda nesta semana.

Neste sábado, o chanceler francês, Allan Juppé, já havia anunciado que os dois países discutiam a possibilidade de viabilizar uma zona "no fly". No domingo, Juppé se encontrou com o secretário-geral da Liga Arabe, Amr Moussa, que declarou ser favorável à iniciativa dos ocidentais. Em uma nota, os países do Golfo Pérsico também pediram, nesta segunda-feira, que a ONU proteja a população da Líbia.

Segundo o ministro francês, trataria-se de uma ação militar, e não de uma intervenção. Mas, para os especialistas, a questão atualmente é mais diplomática do que logística, já que a Otan tem conhecimento suficiente para organizar a operação. O problema é a percepção no mundo árabe de uma iniciativa militar ocidental desse tipo, sem um sinal claro da oposição na Líbia.

Para que a zona de exclusão aérea seja eficiente, também seria necessária a destruição das baterias anti-aéreas do país. Muitos países seriam reticentes à criação de uma zona. É o caso da Rússia, membro do Conselho Permanente de Segurança. O chanceler russo, Serguei Lavrov, disse nesta segunda-feira que a Rússia é contra qualquer tipo de intervenção na Líbia. A China também seria contrária à iniciativa.

Bombardeios aéreos

Enquanto isso, as forças de Kadafi intensificaram os bombardeios aéreos no fim de semana e continuaram os ataques nesta segunda-feira. Em Ras Lanouf, no leste do país, um carro foi atingido por um dos ataques aéreos, que visava o campo de petróleo na região, deixando pelo menos seis vítimas, entre elas três crianças que estavam no interior do veículo. Centenas de habitantes fugiram da cidade nesta segunda-feira. Eles temem o aumento da violência que tomou conta da cidade de Ben Jawad, a quarenta quilômetros, que deixou pelo menos 12 mortos neste domingo.

Também no domingo, em Misrata, a terceira maior cidade do país, situada a 150 quilômetros a leste da capital Tripoli, os combates no domingo deixaram 21 mortos e mais de 90 feridos, a maioria civis.

 

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