Líbia/Crise

Muammar Kadafi pode estar articulando saída do poder da Líbia

O ditador líbio, Muammar Kadafi.
O ditador líbio, Muammar Kadafi. Reuters

Advogados ligados ao regime líbio em Tripoli se ofereceram como intermediários para negociar com a oposição o fim do banho de sangue no país. A notícia surgiu no dia seguinte à publicação de uma reportagem do jornal árabe Asharq Alawsat afirmando que o ditador teria se mostrado disposto a deixar a Líbia em troca de garantias de proteção para ele e sua família, além de imunidade judicial.

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O presidente do Conselho Nacional criado por insurgentes em Benghazi, Moustapha Abdeljalil, afirmou nesta terça-feira à agência de notícias AFP que a oposição não vai entrar na Justiça contra o ditador Kadafi se ele renunciar ao seu cargo e sair do país.

"Claro que somos favoráveis ao fim do banho de sangue, mas Kadafi deve primeiro se demitir e partir. Se isso acontecer, não envolveremos a Justiça contra ele", disse o líder da oposição.

Ele contou ainda que recebeu a visita de advogados militantes de Tripoli que se ofereceram como intermediários para acabar com a repressão do governo contra os manifestantes.

No entanto, um responsável do governo desmentiu nesta terça-feira que exista uma proposta de negociação oficial por parte do regime.

Mais cedo, um porta-voz da oposição havia assegurado que uma possível oferta de negociação por parte de Kadafi seria rejeitada imediatamente.

"Não vamos negociar com Kadafi. Ele sabe onde fica o aeroporto de Tripoli e o que ele tem a fazer é partir e pôr fim ao banho de sangue", afirmou Mustafa Gheriani, assessor de imprensa do Conselho Nacional criado pela oposição.

Sanções europeias

Os 27 países da União Europeia confirmaram nesta terça-feira ter chegado a um acordo para decretar novas sanções contra a Líbia, visando principalmente um fundo soberano e o Banco Central do país. As novas sanções deverão entrar em vigor até o final desta semana, depois de passar pela aprovação formal dos membros do bloco.

Com a decisão, os europeus tentam atingir o governo de Muammar Kadafi congelando os bens da multibilionária Autoridade Líbia de Investimento (LIA) e ativos do Banco Central. A LIA gerencia a renda do petróleo do país e comprou nos últimos anos participações em grandes empresas europeias.

Há uma semana, a União Europeia havia chegado a um acordo sobre o embargo à venda de armas para a Líbia, a proibição de viagens e o congelamento de ativos de 26 autoridades líbias, incluindo o dirigente Muamar Kadafi.

Novo ataque das forças de Kadafi

A oposição líbia, em luta contra o regime há três semanas, controla uma grande parte do leste do país e algumas cidade do oeste. A capital Tripoli ainda está nas mãos do regime. No sábado, o Conselho Nacional criado pelos insurgentes se declarou “o único representante da Líbia”.

O avanço dos revoltosos em direção ao oeste foi impedido nos últimos dias pelas forças leais a Kadafi. Nesta terça, um avião de caça atacou a base mais avançada dos insurgentes no deserto, a leste do porto petrolífero de Ras Lanouf. Não há informações sobre número de vítimas ou danos.

A aviação líbia está atacando diariamente as posições dos insurgentes no leste, em Ras Lanouf e também em Brega e Ajda-byia, que são rotas estratégicas para Benghazi, a segunda cidade do país.
 

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