violência/ Líbia

Governo líbio envia emissários à Bélgica, Portugal e ao Egito

O dirigente líbio, Muamar Kadafi, em coletiva neste 8 de março no hotel Rixos, em Tripoli.
O dirigente líbio, Muamar Kadafi, em coletiva neste 8 de março no hotel Rixos, em Tripoli. Reuters

O ditador líbio, Muammar Kadafi, enviou dois emissários para Bruxelas, possivelmente para se encontrar com representantes europeus e da Otan na capital belga. A informação foi divulgada pelo chanceler italiano, Franco Frattini.

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Outro avião está a caminho de Portugal, onde um enviado líbio se encontrará com o chefe da diplomacia do país, Luis Amado, na véspera de uma reunião em Bruxelas dos ministros das Relações Exteriores para tratar sobre a crise na Líbia.

Uma terceira aeronave civil que pertence ao governo líbio, transportando um alto responsável do regime de Muamar Kadafi, aterrissou nessa quarta-feira no aeroporto do Cairo. O general Abdel al Zawi, chefe da autoridade líbia de logística e abastecimento, estava a bordo da aeronave, que saiu de Trípoli e sobrevoou o espaço aéreo grego antes de chegar ao Egito.

A notícia provocou expectativas de uma reviravolta na crise na Líbia, já que foi publicada logo após uma declaração do primeiro ministro grego, Georges Papandreu, em que afirmava que havia aconselhado, por telefone, o ditador Muammar Kadafi a contribuir para uma saída pacífica para a revolta popular na Líbia. Um veículo de comunicação grego chegou a afirmar que Kadafi poderia estar no avião.

O objetivo da visita de al Zawi, que também seria vice-ministro da Defesa do regime, é desconhecido. Frattini afirmou que o emissário traz consigo uma carta do general Kadafi, que será entregue primeiro ao governo egípcio e depois à Liga Árabe.

Enquanto isso, os aliados de Kadafi pareciam estar ganhando territórios dominados por rebeldes nesta quarta-feira. A cidade de Ras Lanouf, no leste do país, voltou a ser bombardeada hoje. As bombas caíram a cinco quilômetros do centro da cidade, próximo a uma posição consolidada por rebelde, provocando recuo dos insurgentes. As explosões, ocorridas próximo à rafinaria de petróleo As-Sidra, provocaram gigantescas chamas e bolas de fogo.

A oeste, a cidade de Zawiyah continua sendo palco de violentos ataques, mas os relatos sobre os acontecimentos são escassos, uma vez que a comunicação está cortada na região do município. Em Zeiten, mais perto da fronteira com a Tunísia, os rebeldes continuam controlando a cidade. A capital, Trípoli, segue sob o comando do ditador líbio.

"Complô colonialista"
 

Mais cedo, o ditador reafirmou que os ocidentais são responsáveis por um complô contra a Líbia para controlar os campos de petróleo do país. Ele também chamou os insurgentes que pedem sua renúncia de "traidores". Ataques recomeçam na manhã desta quarta-feira.

As declarações, transmitidas pela tevê oficial na noite desta terça-feira, teriam sido feitas por Kadafi em mensagem aos moradores de Zenten, distante 120 quilômetros à sudoeste de Trípoli. A cidade estaria nas mãos dos opositores, mas cercada por aliados do ditador.

Ontem à noite, em entrevista ao nacal turco TRT, Kadafi acusou diretamente a França de promover um complô colonialista contra seu país e, apesar de dizer que a rede terrorista Al Qaeda está por trás da revolta popular em seu país, ameaçou mudar de estratégia e entrar em contato com Osama Bin Laden para se vingar dos países que articulam a queda de seu regime.

"Querem colonizar de novo a Líbia", disse o ditador, ao ser questionado sobre as posições dos países ocidentais. "Os países colonialistas tramam um complô para humilhar o povo líbio, reduzi-lo à escravidão e controlar o petróleo."

O ditador multiplica suas entrevistas aos meios de comunicação para mostrar que ainda domina a Líbia, enquanto as forças leais do regime continuam a ofensiva para retomar o controle de cidades nas mãos dos opositores.

Os Estados Unidos estudam diversas opções para uma melhor saída para por fim à crise. O desafio no momento é identificar quem são e o que querem os diversos movimentos de oposição a Kadafi. Ontem, o embaixador americano na Líbia, Gene Cretz, se reuniu no Cairo com integrantes do Conselho nacional de Transição, dirigido pelo ex-ministro líbio da Justiça, Mustafa Abdel Jalil.

O porta-voz do Departamento de Estado disse que o governo americano avalia a necessidade de contatos com outros movimentos de opositores que estão na Tunísia. O objetivo é dialogar com um grupo amplo de lideranças capazes de influenciar e intervir na situação líbia. Analistas afirmam que Washington busca conhecer, dos opositores, qual regime eles gostariam de ver na Líbia após 41 anos de ditadura de Muammar Kadafi. Diferentemente da Tunísia e Egito, a Líbia não tem instituições formais, a sociedade civil é desorganizada e não há partidos políticos nem imprensa livre e independente, o que dificulta, na opinião de especialistas, a identificação de quem poderia ocupar a liderança do país.

Já no Iêmen, foi confirmada a morte de um homem que ficou gravemente ferido após os confrontos ontem à noite na praça central de Sanaa, envolvendo manifestantes que pedem a queda do regime atual no país. No Barein, continuam as manifestações dos opositores ao governo na praça da Pérola, no centro da capital Manama. Eles acampam no local e pedem reformas políticas no país.

Duas organizações de defesa dos direitos humanos pediram hoje para as autoridades da Arábia Saudita autorizarem as manifestações previstas nesta sexta-feira. Através de redes sociais, na internet, foi convocado um protesto chamado dia da revolução. O ministério do Interior confirmou no último sábado que estão proibidas quaisquer manifestações no país.

 

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