Japão/terremoto

Acidente nuclear no Japão é mais grave do que o de Three Mile Island, diz ASN

Técnicos avaliam nível de radiação de moradores da região de Fukushima.
Técnicos avaliam nível de radiação de moradores da região de Fukushima. Retuers路透社

O acidente na central nuclear de Fukushima pode ser mais grave do que o esperado. Um nova explosão aconteceu na manhã desta segunda-feira no reator 3 da central de Fukushima 1, mas o contaîner que abriga o equipamento resistiu. A terra voltou a tremer hoje no país.

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Com colaboração de Ricardo Sousa, correspondente da RFI  em Tóquio

O acidente na central nuclear de Fukushima, no Japão, pode atingir até o nível 6 em uma escala internacional que vai até 7, declarou nesta segunda-feira o preidente da Autoridade da Segurança Nuclear (ASN), André-Claude Lacoste. Inicialmente, as autoridades japonesas classificaram o incidente, que culminou em explosões de vapor de hidrogêneo em dois reatores, no nível 4. O incidente ocorreu devido a uma falha no sistema de refrigeração da central, que apresentou um defeito depois do terremoto nesta sexta-feira.

O presidente da ASN declarou, durante uma coletiva em Paris, que cabia às autoridades japonesas esclarecer a gravidade exata do acidente. Segundo ele, as informações demonstram que o incidente é mais sério do que o ocorrido em Three Mile Islands, em 1979, nos Estados Unidos. De acordo com Lacoste, não há dúvida que existe um início de fusão do centro dos reatores 1 e 3. O reator número 2 também estaria ameaçado. "É o começo de uma crise que pode durar semanas", declarou.

O risco de vazamento radioativo é considerado baixo, segundo o governo, de acordo com declarações dadas pelo primeiro-ministro Naoto Kan. O operador Tokyo Electric Power Co (Tepco) anunciou um aumento do nível de radiação neste domingo.

A explosão de hidrogênio no reator 3 , provocada por um aumento da temperatura e pane no sistema de refrigeração causadas pelo terremoto de sexta-feira, foi parecida com a que atingiu no sábado o reator 1 da mesma central. O acidente foi avaliado como de nível 4 em uma escala de 0 a 7. Outra preocupação é com o reator 2. O sistema de resfriamento parou de funcionar nesta segunda-feira, aumentando o temor de um novo incidente. 

Milhares de pessoas da região já teriam apresentado sintomas de contaminação por exposição à radiação e dezenas de casos já foram confirmados. Mais de 140 mil moradores foram retirados das regiões sob ameaça, e o governo já organizou um plano de distribuição de iodo para evitar casos de câncer de tireóide. A substância é usada no combate à contaminação radioativa.

A agência japonesa Jiji informa que uma explosão também foi registrada hoje no reservatório de combustíveis de uma central térmica de Fukushima. Mais de 500 mil pessoas já foram retiradas da região e levadas para locais considerados mais seguros. 215 mil pessoas foram deslocadas em um perímetro de 20km em torno da central situada a 250 km de Tóquio, mas alguns moradores afirmam que toda a população num raio de 60 quilômetros deixou suas casas. No total, 600 mil pessoas já foram retiradas de suas casas nas zonas atingidas desde a sexta-feira passada, por medida de precaução, devido aos riscos apresentados pela central de Fukushima. Cerca de 400 brasileiros vivem nesta região.

Na região da capital japonesa, onde vivem 35 milhões de pessoas o racionamento de energia já começou. A energia nuclear é responsável por 25 a 30% da eletricidade consumida no país. Tóquio, além de oito províncias nas cercanias da capital japonesa, sofrerão cortes regulares no fornecimento. A socióloga brasileira Helena Hirata, que vive em Paris e está de passagem por Tóquio, conta que haverá um apagão que começa nesta segunda-feira. "Serão três horas por dia sem energia, por rotação em diferentes regiões do país também porque existe um alerta de um novo terremoto. Então, com medo de que falte alguns produtos, acabou tudo no supermercado", explica.

A socióloga brasileira Helena Hirata

Além da ameaça nuclear há o temor de um novo terremoto até quarta-feira. Hoje o país registrou um tremor de terra de 5,8 na escala Richter, sentido até em Tóquio. A Agência de Meteorologia do Japão alertou na noite de domingo sobre o risco elevado de um novo terremoto de magnitude de 7 nos próximos três dias. Em seguida, a probabilidade diminui, passando para 50% . As réplicas de magnitude entre 2 e 6 graus têm sido frequentes desde sexta-feira, dia do primeiro tremor registado na costa nordeste japonesa, que atingiu 9 graus na escala Richter.

Mesmo num país como o Japão, preparado para tremors de terra, o tremor é de intensidade sem precedentes, sendo considerado o pior da história do país. Até às 7 da manhã desta segunda-feira, o último boletim anunciou 1.587 mortos e 1.086 desaparecidos. A estimativa na província de Miyagi, a mais gravemente atingida pelo tsunami, é de que pelo menos 10 mil pessoas tenham morrido.

A Cruz Vermelha publicou o nome de uma brasileira de Belém do Pará que está desaparecida: Edna Satico Matamura, nascida em 20 de março de 1955.
 

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