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Acidente nuclear no Japão é o 'apocalipse', diz comissário europeu

O nível de radiação em Tóquio subiu nesta terça-feira
O nível de radiação em Tóquio subiu nesta terça-feira Reuters

A crise nuclear se agravou nesta terça-feira no Japão, com a explosão do reator 2 da central de Fukushima e o risco de contaminação radioativa. Segundo a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), o acidente danificou a câmara de contenção primária do reator. Com isso, partículas radioativas foram lançadas diretamente na atmosfera.

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Para a Autoridade Francesa de Segurança Nuclear, o acidente atinge 6 em uma escala que vai até 7, nível só registrado apenas na catástrofe de Tchernobyl, em 1986. O Comissário Europeu de Energia, Günter Oettinger, estima que as autoridades locais perderam o controle da situação, qualificando o acidente no Japão de ‘apocalipse.’

As autoridades japonesas afirmaram nesta terça-feira que a radioatividade só atingia um nível perigoso para a saúde no local do acidente. Apenas 50 dos 800 funcionários da central continuam trabalhando na central. Por medida de precaução, o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, aumentou o perímetro de segurança em torno da central em 30 quilômetros.O governo japonês insiste que os habitantes de Tóquio não têm necessidade de tomar medidas especiais para se proteger, mas a notícia divulgada pelas autoridades do país, afirmando que o índice de radioatividade estava dez vezes acima do normal causou pânico na população na capital. Muitos moradores estão deixando a cidade e muitas lojas estão em ruptura de estoque de produtos básicos, como o arroz por exemplo.

O governo japonês pediu ajuda para realizar o resfriamento dos reatores da central. Reunidos nesta terça-feira, representantes de vinte países da União Europeia também decidiram ajudar os japoneses a controlar a crise nuclear, além de enviar profissionais e material de resgate para as vítimas do terremoto que atingiu o país na sexta-feira. O tremor é o mais grave dos últimos 140 anos já deixou 3373 mortos. Mais de 500 mil pessoas estão desabrigadas.

Os incidentes na central de Fukushima começaram no sábado, um dia depois do terremoto, quando o sistema de refrigeração do reator 1 apresentou defeito, provocando um superaquecimento e uma explosão de hidrogênio. Nesta segunda-feira, um processo similar atingiu o reator 3 e o 4, onde foi registrado um incêndio. No caso do reator 2, a situação é mais crítica, já que as barras de combustível do equipamento ficaram expostas mais de 140 minutos, segundo a Tepco (Tokyo Electric Power Co). Apenas dois dos seis reatores  da central Fukushima estão funcionando normalmente.

 

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