Líbia/Crise

Kadhafi avança e reconquista, um mês depois da rebelião

Rebeldes fugindo depois que as forças fiéis ao líder líbio, Muammar Kadhafi, bombardearam a cidade de Ajdabiya.
Rebeldes fugindo depois que as forças fiéis ao líder líbio, Muammar Kadhafi, bombardearam a cidade de Ajdabiya. Reuters

As forças pró-Kadhafi conseguiram inverter a situação e hoje tomaram das mãos dos insurgentes a cidade estratégica de Ajdabiya, no leste, última etapa antes de Benghazi, berço da rebelião iniciada em 15 de fevereiro.  

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Terça-feira amarga para os insurgentes líbios que acreditaram poder destituir o ditador Muammar Kadhafi do poder e instaurar uma democracia no país. Um mês depois da insurreição sangrenta, que deixou centenas de mortos e causou um êxodo de 250 mil pessoas, a cidade de Ajdabiya voltou para as mãos das forças leais ao coronel, que usaram artilharia pesada e lançaram bombas aéreas na região.

Os combates deixaram mortos e feridos, e centenas de civis e insurgentes acabaram fugindo rumo à Benghazi, 160 km ao sul, onde fica a sede do Conselho Nacional de Transição, formado pela oposição. "Se a ONU não intervir, seremos todos massacrados", disse o doutor Souleimane al-Abeidi, que veio apoiar as equipes médicas de Ajdabiya. "Somos civis. O que podemos fazer contra armas pesadas? Contra tanques, bombas e navios de guerra?" indaga o médico.

"Para os insurgentes, há somente duas possibilidades, render-se ou fugir", disse Kadhafi em entrevista ao jornal italiano Giornale. Ele excluiu qualquer tipo de negociação com os rivais, mas prometeu não matar quem se entregar.

Diplomacia indecisa

Enquanto os insurgentes caminham rumo a uma provável derrota, as grandes potências do G8 (grupo das oito maiores potências mundiais), reunidas durante dois dias em Paris, descartaram por falta de consenso uma opção militar para brecar as forças de Kadhafi. A única decisão comum foi a promessa de apresentar, nas próximas horas, uma nova resolução na ONU para reforçar as sanções contra a Líbia.

França e Grã-Bretanha não conseguiram convencer os outros países a votar pela instauração de uma zona de exclusão aérea na Líbia, para impedir bombardeios sobre insurgentes e civis. A ideia era apoiada pela Liga Árabe e reclamada pela oposição líbia.

"Kadhafi marcou vários pontos", lamentou o ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, estimando que a comunidade internacional não conseguirá impedir as forças governamentais de reconquistarem Benghazi.

O presidente norte-americano, Barack Obama, renovou sua advertência ao dirigente líbio, declarando que este perdeu sua legitimidade e deve partir. Mas, na prática, a sua secretária de Estado, Hillary Clinton, se recusou a prometer uma ajuda militar aos rebeldes.

O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, chegou a propor a Kadhafi a nomeação de um presidente que tenha o apoio popular para dar fim à crise.

No plano humanitário, o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados fez um apelo às forças líbias para que deixem os civis fugirem, destacando o número muito pequeno de mulheres e crianças que chegam às fronteiras do Egito e da Tunísia.

A Agência Internacional de Energia informou hoje que a produção de petróleo da Líbia, estimada em 1,6 milhão de barris por dia, está praticamente parada.

 

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