Líbia/guerra

Rebeldes afirmam deter o controle de Ajdabiya

Benghazi, quartel-general dos rebeldes na Líbia, pode ser retomada nos próximos dias pelas forças de Kadafi.
Benghazi, quartel-general dos rebeldes na Líbia, pode ser retomada nos próximos dias pelas forças de Kadafi. REUTERS/Finbarr O'Reilly

Apesar do avanço das forças pro-Kadafi, a cidade de Ajdabiya, a 160 quilômetros de Benghazi, continua nas mãos dos rebeldes, disse nesta terça-feira o porta-voz militar do Conselho Nacional Líbio, Khaled El Sayeh. De acordo com ele, os militares bombardearam a cidade, mas os opositores conseguiram controlar a situação.

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A imprensa divulgou nesta terça-feira que a cidade, estratégica para o comando rebelde, estava novamente sob controle de Kadafi. Em Ajdabya, um cruzamento dá acesso a Benghazi e Cyrenaique, e às estradas que ligam o país à fronteira egípcia, e o deserto na região de Fezzan. De acordo com Khaled, as tropas Kadafi também não estão fiscalizando as estradas na região, como afirmaram alguns jornalistas que fazem a cobertura da guerra civil.

Vários repórteres tem deixado o país com o avanço das tropas de Kadafi e a informação de que militares à paisana estivessem se infiltrando em hotéis em Ajadbiya. Com a morte do cinegrafista da rede Al Jazeera Ali Hassan al Jaber, vítima de uma emboscada perto de Benghazi, a situação ficou ainda mais tensa. É o que conta o repórter-fotográfico da Folha de S. Paulo Joel Silva, que deixou Ajadbiya no sábado à noite depois de 15 dias de cobertura, atravessou a fronteira e agora está no Cairo.

Joel Silva, repórter fotográfico

"A morte do cinegrafista gerou uma pressão muito grande nos jornalistas que estavam no front. A gente temia que fôssemos parados no meio do caminho por soldados à paisana. Só fiquei sossegado na hora que atravessei a fronteira. Até a fronteira, foram cinco horas de viagem em que não preguei o olho. Em um check point, um rebelde nos apontaram a arma, achando que nós eramos soldados disfarçados. Foi o momento mais tenso, tivemos medo de alguém ser morto por um soldado do Kadafi à paisana", conta o fotógrafo.

De acordo com ele, a retomada de Benghazi é uma questão de tempo. "Acredito que as forças de Kadafi só não retomaram a cidade por pressão externa. Força para isso eles têm : caças, navios, podem chegar pelo mar. Enquanto estávamos em Benghazi negociando nossa saída, ouvimos explosões na cidade. Segundo informações, navios já estavam bombardeando a cidade, posicionados. Não sabemos se é verdade. Mas que ele tem força para ocupar a cidade ele tem, mas teme uma reação internacional dos EUA ou da ONU, por conta de um massacre que vai ocorrer."

Zona de exclusão aérea

Nesta terça-feira, a França e a Grã-Bretanha declararam que continuam a apoiar a ideia de uma resolução da ONU que autorize a criação de uma zona de exclusão aerea na Líbia, apesar da oposição da China e da Rússia, reticente à proposta. Para o chanceler Alain Jupé, a opção já estava um pouco « ultrapassada » diante da evolução das tropas de Kadafi. O representante permanente da França nas Nações Unidas declarou que Paris estava « inconformada » pela incapacidade do Conselho de Segurança de reagir diante do avanço das forças líbias.
 

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