Japão/Nuclear

Agência Nuclear do Japão eleva nível de gravidade na central de Fukushima

A central nuclear de Fukushima, no Japão.
A central nuclear de Fukushima, no Japão. Reuters/Kyodo

O acidente nuclear no Japão parace ter se estabilizado, uma semana após o terremoto seguido de tsunami que danificou os reatores da usina nuclear de Fukushima. Mesmo assim, a Agência de Segurança Nuclear japonesa elevou para 5, em uma escala que vai a 7, o grau de gravidade do acidente nos reatores 1, 2 e 3. Antes, eles estavam classificados no nível 4. O acidente no reator 4 foi reclassificado para o nível 3.

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O governo japonês reafirmou que o perímetro de segurança de 30 km estabelecido em torno da usina está adequado. A gravidade do acidente na central de Fukushima foi classificado como de nível 6 pela Agência de Segurança Nuclear da França.

Após dias de extrema apreensão, o escritório regional da Organização Mundial da Saúde informou hoje que a radiação emitida pelas explosões na usina não são perigosas para a saúde humana e permanecem localizadas.
Nesta sexta-feira, a companhia de energia Tepco, que administra a usina de Fukushima, informou que até amanhã vai conseguir restabelecer a energia no complexo nuclear. Com isso, o sistema de resfriamento dos reatores, desligado por causa do tsunami, vai ser reativado.

Os ventos de direção norte e oeste têm levado os gases e partículas radioativas que escapam da usina de Fukushima para o Oceano Pacífico. Na central, os técnicos e engenheiros japoneses trabalham com heroísmo para impedir um desastre maior. Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica, de ontem para cá o aquecimento dos reatores não piorou, o que já é um dado positivo, embora globalmente o risco continue muito grave.

As operações de resfriamento dos reatores são feitas com caminhões cisterna equipados com canhões de água e estão concentradas nesta sexta-feira no reator 3. A estrutura externa desse reator foi destruída por uma explosão de hidrogênio e a piscina de resfriamento das barras de combustível nuclear usado está com o nível muito baixo por causa de um vazamento.

As barras de urânio têm de ficar o tempo todo submersas, para evitar que seu aquecimento produza a difusão de substâncias radioativas.

Minuto de silêncio

Hoje, os japoneses da região noroeste do país fizeram um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do terremoto de 11 de março, o mais grave dos últimos 140 anos no Japão. Segundo um novo balanço das autoridades, 6.400 pessoas morreram na tragédia e 10 mil estão desaparecidas. Os 80 mil bombeiros e agentes de resgate envolvidos nas operações de socorro já não têm praticamente esperança de encontrar sobreviventes. A catástrofe deixou cem mil desabrigados.

No plano econômico, o G7, grupo dos sete países mais industrializados do mundo, lançou uma operação coordenada nos mercados de câmbio para baixar o valor do iêne. A valorização da moeda japonesa está tornando ainda mais difícil a gestão da crise no Japão. Os bancos centrais do Japão, da França, do Reino Unido e da Alemanha confirmaram sua participação nessa intervenção nos mercados.

A bolsa de valores de Tóquio reagiu bem à manobra e fechou em alta de 2,72% nesta sexta-feira. A operação do G7 animou os investidores, que voltaram a comprar ações dos grupos exportadores japoneses, que sofreram um duro golpe com as consequências do terremoto.

 

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