Líbia/ ataques

Ataques a Trípoli continuam, um dia após Kadafi voltar a se pronunciar em público

Imagem da TV estatal mostra discurso líder da Líbia, Muammar Kadafi, que voltou a aparecer em público nesta terça-feira à noite.
Imagem da TV estatal mostra discurso líder da Líbia, Muammar Kadafi, que voltou a aparecer em público nesta terça-feira à noite. D.R

No quinto dia de intervenção militar na Líbia, a coalizão internacional voltou a bombardear cedo, esta manhã, alvos das forças de Muammar Kadafi em Trípoli. Desafiando a coalizão, Kadafi reapareceu ontem em público, pela primeira vez desde o início da operação militar, dizendo que não vai se render.

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Num discurso transmitido pela televisão, o ditador falou de sua residência-quartel em Trípoli, diante de uma multidão que tem sido usada como escudo humano para protegê-lo dos bombardeios da coalizão. Chamando os líderes que o atacam de fascistas "que vão terminar seus dias na lata de lixo da história", Kadafi afirmou que vai vencer os combates, “sejam eles curtos ou longos”.

A coalizão, liderada por Estados Unidos, França e Reino Unido, começa a sentir os limites de uma ação exclusivamente aérea na Líbia, único recurso autorizado pela resolução 1973 da ONU. Os três países acertaram nesta terça-feira o apoio da Otan nas operações na Líbia. A Aliança Atlântica vai lançar uma operação para controlar o embargo à venda de armas à Líbia, posicionando navios no Mediterrâneo.

A Otan também finalizou os planos militares para participar da zona de exclusão aérea na Líbia. As medidas enfrentaram forte resistência da Alemanha e da Turquia, contrárias à intervenção na Líbia. O governo alemão retirou seus navios da frota da Otan para não participar da missão e propôs hoje que as ações de controle sobre o cumprimento da zona de exclusão aérea sejam intensificadas, sem bombardeios. Depois do anúncio da Otan, a Holanda demonstrou a intenção de contribuir com seis aviões F-16, 200 soldados, um rastreador de minas e um avião de abastecimento.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, indicou ontem que o país vai reduzir “de forma significativa” o número de voos sobre a Líbia realizados com seus aviões. Até agora, os aviões da coalizão efetuaram 336 voos e bombardearam 108 vezes, de acordo com o Pentágono. A secretária de Estrado americana, Hillary Clinton, disse ontem que colaboradores de Kadafi têm contatado pessoas do mundo inteiro para tentar encontrar uma saída para o conflito, atitude que ela apreciou. Hillary ainda indicou que um dos filhos do ditador pode ter sido morto durante os bolmbardeios, mas destacou que ainda não há provas concretas.

Obama conversou ontem com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, sobre o papel da Otan nas operações. O americano teria a intenção de passar totalmente o comando para a organização militar, mas Sarkozy teria reticências a isso.

Apesar do anúncio de um novo cessar-fogo pelo regime, ontem as forças de Kadafi continuaram atacando cidades como Misrata, Zintan e Yefren, em confrontos que provocaram ao menos 20 mortes.

 

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