Israel/tensão

Analistas acreditam em escalada de violência entre Israel e palestinos

Técnicos da polícia científica de Jerusalém comparecem nesta quinta-feira ao local do atentado que deixou 1 morto.
Técnicos da polícia científica de Jerusalém comparecem nesta quinta-feira ao local do atentado que deixou 1 morto. REUTERS/Ronen Zvulun

O exército isralense voltou a bombardear bases do Hamas na Faixa de Gaza nesta quinta-feira, em retaliação ao lançamento de foguetes dos radicais palestinos contra seu território. Após o atentado realizado em Jerusalém, que deixou um morto e vários feridos, e as declarações da Jihad Islâmica de que vai promover novos ataques contra os israelenses, observadores acreditam que a região entrou numa nova espiral de tensão. 

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Dois integrantes do movimento radical palestino Jihad Islâmica foram detidos no norte da Cisjordânia pelos serviços de segurança da Autoridade Palestina na madrugada desta quinta-feira, segundo informações de testemunhas e de fontes próximas ao grupo Hamas.

Os dois homens, Khaled Jaradat e Tarek Qaadane, dois responsáveis políticos do movimento, foram detidos na cidade de Jenin. Os serviços de segurança da Autoridade Palestina não confirmaram a detenção, ocorrida um dia após o braço armado da Jihad Islâmica, as Brigadas de Al-Qods, ter afirmado sua intenção de atingir "cada vez mais e profundamente" o estado de Israel.

"A etapa visando atingir as cidades de Ashkelon e Sderot já foi superada", declarou um porta-voz das Brigadas de Al-Qods, em referência às duas cidades israelenses mais próximas da Faixa de Gaza.

"A partir de agora não há mais linha vermelha para a resistência enquanto o inimigo não respeitar as declarações e resoluções da ONU e continuar a matar civis", disse Abou Ahmad, lembrando a morte de oito palestinos na terça-feira durante ataques do exército de Israel à Faixa de Gaza.

Violência

Durante a madrugada desta quinta-feira, aviões de combate israelenses atacaram campos de treinamento da facção radical palestina Hamas e túneis de contrabando perto da fronteira com o Egito, em retaliação ao lançamento de mísseis contra seu território. Paralelamente, os projéteis lançados a partir do território palestino continuaram a atingir a região sul de Israel. Não há registros de mortos ou feridos.

Os ataques acontecem em meio à escalada de violência na região. Um dos pontos mais movimentados de Jerusalém reviveu na quarta-feira a época que até hoje marca a memória coletiva do terror em Israel. Uma mala deixada ao lado de pontos de ônibus, contendo cerca de dois quilos de material explosivo, foi detonada e causou a explosão de dois ônibus. Uma pessoa morreu e pelo menos 30 ficaram feridas. O atentado causou pânico entre as milhares de pessoas que passavam pelo local, situado na entrada da cidade. Há sete anos Jerusalém não via a explosão de um ônibus.

Antes de embarcar para Moscou na noite de quarta-feira, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que Israel está determinado a proteger seus cidadãos. Segundo a imprensa local, Netanyahu aprovou uma série de ações militares, mas não há detalhes sobre a extensão das ações de retaliação israelenses.

Udi Segal, o principal repórter político do Canal 2 de televisão, avalia que o premiê está sendo pressionado pelos principais ministros de seu gabinete para realizar uma operação militar de grande escala, mas que Israel ainda não tem apoio da comunidade internacional para tal.

O analista político do canal, Ehud Yaari, noticiou que o movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, não tem interesse em um confronto com o estado hebreu a curto prazo e tentará evitar que as diversas facções palestinas realizem novos ataques.

Yaari avalia que a Jihad Islâmica pode estar por trás da explosão em Jerusalém, como forma de vingar a morte de seus militantes durante um ataque israelense à Faixa de Gaza. O movimento comemorou o atentado mas não reivindicou sua autoria.

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