Líbia/Guerra

OTAN vai comandar parte das operações militares na Líbia

Avião de combate canadense CF-18 estacionado na base da OTAN de Birgi, em Trapani, na Sicília.
Avião de combate canadense CF-18 estacionado na base da OTAN de Birgi, em Trapani, na Sicília. Reuters/Tony Gentile

A decisão foi tomada na noite de quinta-feira na sede da Aliança Atlântica, em Bruxelas, após quatro dias de duras negociações. A OTAN vai controlar a zona de exclusão aérea sobre a Líbia, mas não vai por enquanto atacar as forças terrestres de Muammar Kadafi. Nicolas Sarkozy defende uma coordenação política das operações, para garantir que países árabes que não integram a OTAN continuem a participar da intervenção.

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O acordo foi difícil e as divergências entre os países integrantes da OTAN levaram à adoção de uma solução provisória sobre a intervenção militar internacional na Líbia. A Aliança Atlântica vai assumir no lugar da coalizão o controle das operações para impor a zona de exclusão aérea e o embargo marítimo ao país. Mas a OTAN não poderá por enquanto realizar ataques terrestres contra tanques e baterias de artilharia, que continuarão a cargo das forças da coalizão liderada pela França, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos.

A OTAN ainda não vai assumir o pleno comando da ofensiva lançada no dia 19 de março contra o regime de Muammar Kadafi, principalmente por causa da oposição da França. O presidente Nicolas Sarkozy defende que a coordenação da intervenção militar continue sendo política, a cargo da coalizão, para garantir que países árabes que não integram a OTAN continuem participando das operações.

O secretário-geral da Aliança Atlântica, Anders Fogh Rasmussen, disse que as discussões para aumentar a responsabilidade da organização na intervenção militar na Líbia, como pedem vários de seus países integrantes, entre eles Estados Unidos e Turquia, vão continuar.

A ofensiva contra o regime de Muammar Kadafi balançou a coesão europeia. Os líderes europeus voltam a se reunir nesta sexta-feira em Bruxelas, no segundo e último dia da cúpula, para discutir a situação na Líbia. A União Europeia deve se encarregar do aspecto humanitário da intervenção militar. O bloco também se prepara para uma eventual onda de imigração clandestina e busca aumentar sua ajuda econômica ao norte da África.

Emirados Árabes Unidos participam com 12 aviões

Os Emirados Árabes Unidos confirmaram nesta sexta-feira que colocam à disposição da coalizão internacional 12 aviões de caça F-16 e Mirage para respeitar a zona de exclusão aérea em vigor na Líbia. O anúncio desta colaboração havia sido feito ontem à noite pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, em Bruxelas. Outro país da Liga Árabe que participa ativamente da intervenção militar é o Catar, que contribuiu com dois caças e dois aviões de transporte militar.

No sexto dia da intervenção militar na Líbia, a coalizão promoveu novos bombardeios aéreos nos arredores da capital, Trípoli, e também ofensivas em Sebha, terra natal da tribo do coronel Muammar Kadafi. Aviões de combate Tornado, da Força Aérea britânica, lançaram mísseis contra veículos blindados do exército líbio em Adjabyia, no leste do país.

Em Adjabyia, ao sul de Benghazi, reduto das forças rebeldes, os insurgentes avançam rapidamente para retomar o controle desta cidade considerada estratégica. Segundo relatos de jornalistas no local, os insurgentes e as forças leais ao ditador líbio travam confrontos violentos na cidade.

Segundo um balanço provisório divulgado pelo porta-voz do exército da Líbia, os ataques da coalizão internacional já teriam deixado "cerca de 100 mortos" entre os civis desde o início da ofensiva, no dia 19 de março.

Nesta sexta-feira, em Adis Abeba, na Etiópia, acontece uma reunião entre ministros e diplomatas da União Africana, Liga Árabe e União Europeia. O objetivo é criar um mecanismo de consulta sobre os combates na Líbia e a operação da coalizão internacional.

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