Japão/Crise nuclear

Japoneses pedem ajuda da França para evitar colapso nuclear

REUTERS/Japan Ground Self-Defence Force via Kyodo

O Japão continua à beira de um colapso nuclear. Os trabalhos de descontaminação e resfriamento dos reatores da usina de Fukushima estão sendo interrompidos com frequência, devido ao fortíssimo nível de radiação detectado em depósitos de água dos reatores 2 e 3. Depois de ter errado a leitura de radiação do local no domingo, a Tepco, operadora da usina, pediu ajuda aos especialistas franceses para controlar a crise.

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O pedido de ajuda da Tepco à França foi considerado uma boa iniciativa pelo ministro francês da Indústria, Eric Besson ao divulgar a notícia esta manhã. Pela primeira vez, desde o início da crise, a empresa japonesa pediu o apoio dos 3 grupos franceses especialistas no nuclear, a companhia de energia EDF, a produtora de combustível nuclear Areva e a comissão de energia atômica CEA. Eric Besson declarou que a situação em Fukushima é extremamente crítica e incerta. Segundo ele, a experiência francesa poderá ajudar a fazer um balanço mais preciso da situação.

Um especialista americano da Universidade da Califórnia do Sul acredita que o Japão não tem capacidade para controlar sozinho a situação e defende a intervenção do Conselho de Segurança da ONU. O colapso nuclear no Japão é muito mais importante do que a zona de exclusão aérea na Líbia, afirma o professor.

Em Fukushima, cerca de 500 técnicos, bombeiros e militares continuam tentando resfriar os 4 dos seis reatores da central nuclear atingida pelo terremoto e tsunami do dia 11 de março. Mas o trabalho está sendo freado pelo vazamento de água radioativa dos reatores. Após o vazamento no reator número 3 na quinta-feira que contaminou 3 trabalhadores, uma radiação muito elevada foi detectada no reator número 2 no domingo. Inicialmente, a Tepco anunciou um índice da radioatividade 10 milhões de vezes superior ao padrão, alarmando o Japão e o mundo. Em seguida, o operador da usina nuclear reconheceu que havia errado a leitura e que o índice registrado é somente "100 mil vezes" acima do padrão. Um erro considerado inaceitável pelo governo japonês.

A água do Oceano Pacífico, na região de Fukushima, também está contaminada. Índices de iodo radioativo 1.150 vezes superiores ao padrão foram registrados. Hoje, uma réplica do tremor de terra de intensidade 6.5 na escala Richter foi registrada na região nordeste do país, sem fazer novas vítimas.
 

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