Japão/nuclear

Técnicos detectam plutônio no solo da central Fukushima

Um membro do Greenpeace mede a radioatividade a 40 quilômetros de Fukushima, no dia 27 de março de 2011.
Um membro do Greenpeace mede a radioatividade a 40 quilômetros de Fukushima, no dia 27 de março de 2011. Reuters/Christian Slund

A Tepco (Tokyo Eletric Power), empresa que administra a central de Fukushima, no Japão, divulgou nesta segunda-feira que traços de três tipos de plutônio, material altamente radioativo, foram encontrados em cinco pontos no solo da usina.

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Segundo um porta-voz da empresa, a substância, em baixa concentração, não apresenta riscos para a saúde. O teor é semelhante ao que foi detectado no país depois de testes nucleares realizados em países vizinhos, como a Coréia do Norte.

A Tepco não esclareceu de onde vinha o plutônio. A suspeita recai sobre o reator 3, que sofreu uma explosão e é o único que contém MOX, uma mistura de óxido de plutônio e urânio. Os restos radioativos dessa substância são os que apresentam mais riscos de contaminação. O plutônio encontrado em Fukushima, entretanto, também pode ser proveniente de um outro reator que utiliza apenas urânio, já que 30% da energia produzida vem da conversão do urânio em plutônio.

Ainda não se sabe se o incidente pode estar relacionado ao vazamento de água contaminada nos túneis do reator 2, que teve as barras de combustível expostas. O nível de radiação, de 1000 millisieverts por hora, coloca em risco os funcionários que trabalham para tentar reativar o sistema de refrigeração da central, que sofreu danos depois do terremoto do dia 11 de março.

Os técnicos em Fukushima reconheceram nesta segunda-feira, pela primeira vez, que a água contaminada escapou dos edifícios dos reatores e já poderia ter chegado ao oceano Pacífico, que fica a 60 quilômetros da central. Taxas de iodo radioativo 1.150 mil vezes acima do normal também foram detectadas no rio perto da central. Desde a primeira explosão na central, no dia 12, o risco de contaminação radioativo se expandiu, e já atinge a população num raio de 100 quilômetros em torno da central, afirmam especialistas.
 

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