Líbia/ insurgentes

Decisão sobre armar rebeldes divide coalizão

Combatentes rebeldes líbios capturam um carro blindado das forças leais de Kadafi, na estrada entre as cidades de Ras Lanus e Brega.
Combatentes rebeldes líbios capturam um carro blindado das forças leais de Kadafi, na estrada entre as cidades de Ras Lanus e Brega. Reuters

Nova divisão na coalizão internacional militar que atua na Líbia para cessar as violências do ditador Muammar Kadafi contra a população civil. A sugestão dos Estados Unidos de armar os rebeldes para combaterem as forças do governo já é alvo de críticas de outros países, como a Noruega, a Rússia e a Itália.

Publicidade

Os insurgentes pedem ajuda armamentista direta da coalizão. A ideia também é apoiada pela França, que ontem disse que vai discutir sobre esta opção com os aliados.

O presidente americano, Barack Obama, declarou nesta terça-feira que “não exclui” a possibilidade de armar os rebeldes, acrescentando que também “não afirma que isso vai acontecer”. Nesta manhã, a ministra da Defesa da Noruega, Grete Faremo, reagiu dizendo que “não é o caso” de fornecer armamentos aos insurgentes. Em Roma, o porta-voz do ministério italiano das Relações Exteriores, Maurizio Massari, argumentou que esta solução seria “uma medida extrema, que certamente dividiria a comunidade internacional”.

Mais tarde, a Rússia declarou que “está totalmente de acordo” com o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, para quem a operação na Líbia não tem o objetivo de armar civis. “Nós estamos totalmente de acordo com o secretário-geral nesta questão”, afirmou o ministro russo das Relações Exteriores, Sergueï Lavrov.

Americanos, franceses e britânicos se unem ao defender que, embora as ações militares tenham evitado “um banho de sangue” na Líbia, as operações ainda não conseguiram fazer com que a população civil esteja ameaçada, principal objetivo da resolução 1973, aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU. O primeiro texto, o 1970, proibia os países de armarem diretamente os rebeldes; o segundo e atual, no entanto, deixa esta via aberta ao autorizar “todas as medidas necessárias” para a proteção dos civis. Enquanto isso, Alemanha e Turquia continuam contrários à intervenção militar.

Os 35 países que participam da coalizão também concordam que o maior problema na Líbia é o próprio Kadafi e ele deve deixar o poder, mas divergem sobre a forma como isso deverá acontecer. Por enquanto, as opções analisadas para o fim de Kadafi giram em torno de exílio no exterior, permanência dele na Líbia para julgamento por seus crimes ou mesmo a morte do líder, que governa o país há 41 anos. Itália e Espanha têm sugerido o exílio do ditador no exterior, enquanto o chanceler francês, Alain Juppé, defende que os próprios líbios devem decidir “como querem se livrar” de Kadafi.

Nesta quinta-feira, o comando das ações militares no país norte-africano passará para as mãos da Otan, e os países envolvidos na coalizão continuarão participando estrategicamente através do chamado “grupo de contato”, estabelecido ontem durante uma reunião internacional em Londres para tratar sobre o futuro das operações.
 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Acompanhe toda a actualidade internacional fazendo download da aplicação RFI