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Israel/faixa de Gaza

Palestinos “chocados” com pedido de Israel para anular relatório sobre Gaza

Richard Goldstone, juiz encarregado da investigação da ONU sobre a ofensiva militar em Gaza entre 2008 e 2009.
Richard Goldstone, juiz encarregado da investigação da ONU sobre a ofensiva militar em Gaza entre 2008 e 2009. Reuters/Denis Balibouse
4 min

O governo de Israel voltou a pedir neste domingo a anulação do relatório do juiz sul-africano Richard Goldstone que acusou o país de ter cometido “crimes de guerra” durante a ofensiva militar contra a Faixa de Gaza entre 2008 e 2009. O pedido foi feito após o autor do documento ter expressado reservas sobre seu relatório, alegando ter recebido após a conclusão do documento novas informações de que o exército israelense não tinha os civis palestinos como alvo intencional de ataques.

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“Peço à ONU que anule imediatamente o relatório Goldstone. É preciso jogar esse relatório para o lixo da História”, afirmou o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

O grupo palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza, reagiu e se disse “chocado” com a postura adotada por Israel enquanto o movimento radical Jihad Islâmica denunciou um “recuo do juiz Richard Goldstone” acusado de ter “cedido às pressões do lobby sionista”.

Em um artigo publicado no sábado pelo jornal americano The Washington Post, o juiz sul-africano afirmou que “novos elementos” que surgiram após a publicação de seu relatório, no final de 2009, demonstraram que Israel não tinha visado de “maneira intencional” os civis durante a ofensiva contra a Faixa de Gaza.

Segundo o juiz Richard Goldstone, seu relatório evocando crimes de guerra e eventualmente crimes contra a humanidade cometidos por Israel contra os grupos armados palestinos da Faixa de Gaza, durante a operação “Chumbo Fundido" , teria sido “um documento diferente” hoje.

Após ter pedido ao juiz Goldstone publicar suas conclusões atuais e não se limitar a um artigo na imprensa, o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, anunciou que vai trabalhar para que o documento seja anulado. “É preciso multiplicar os esforços para que esse relatório seja cancelado, e eu mesmo vou me empenhar (para isso)”, declarou.

O presidente israelense, Shimon Peres, pediu que o juiz sul-africano “se desculpe por ter acusado Israel de crimes de guerra e ter ignorado que a ofensiva de autodefesa tenha sido uma resposta a milhares de ataques de foguetes lançados (de Gaza) contra civis inocentes (em Israel)”.

Em entrevista a uma rádio militar, o ex-embaixador de Israel na Onu, Danny Gillerman, comemorou a mudança de postura do juiz Goldstone, observando que ela foi conquistada após uma série de intervenções israelenses para fazê-lo mudar de opinião.

Todos os jornais israelenses dedicaram suas manchetes neste domingo ao “arrependimento” expresso pelo juiz Goldstone.

A operação “Chumbo Fundido” lançada por Israel contra a Faixa de Gaza resultou na morte de 1.400 palestinos, a maioria civis, e de 13 israelenses, sendo a maioria militares.

Depois da divulgação do relatório, o governo israelense, que se recusou a colaborar na investigação da ONU, acusou o juiz sul-africano de ter cedido ao grupo Hamas.

Um relatório apresentado no mês de março ao Conselho dos Direitos Humanos da ONU reconheceu que Israel tinha investido “recursos importantes para investigar sobre mais de 400 alegações de má conduta durante as operações em Gaza, lamentando, no entanto, que nenhuma delas tenha visado diretamente os responsáveis pela ofensiva.

Segundo fontes judiciais, após essas investigações, três acusações foram lançadas contra militares israelenses. O relatório também se mostrou alarmado com o fato de que o grupo Hamas não tinha lançado nenhuma investigação sobre os ataques com foguetes e morteiros contra Israel.

Em março de 2010, o Conselho dos direitos humanos da ONU criou um comitê para garantir o acompanhamento e a seqüência do relatório do juiz Goldstone. O juiz sul-africano tinha recomendado acionar o Tribunal Penal Internacional da ONU , em Haia, caso as autoridades israelenses e palestinas se recusassem a iniciar investigações concretas e críveis sobre “crimes de guerra” para punir os responsáveis.
 

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