Líbia/ conflito

Autoridades argelinas negam que Kadafi tenha passado a fronteira

Rebeldes ocupam posto de Ras Jdir, na fronteira com a Tunísia.
Rebeldes ocupam posto de Ras Jdir, na fronteira com a Tunísia. Reurters
Texto por: RFI
4 min

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Argélia, Amar Belani, desmentiu hoje “categoricamente” a informação de que o ditador líbio, Muammar Kadafi, teria atravessado a fronteira com o seu país. “Essa informação não tem fundamento e nós a desmentimos da maneira mais categórica”, declarou. Mais cedo, as autoridades argelinas na fronteira com a Líbia também negaram a passagem do presidente a bordo de um veículo blindado.

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Uma agência de notícias egípcia havia afirmado, na sexta-feira, que um comboio formado por seis carros de luxo blindados havia passado pelo local, em Debdeb, no deserto e nas proximidades da cidade líbia de Ghadamès. A fronteira está aberta desde que os insurgentes líbios dominaram a capital Trípoli.

O comboio teria sido escoltado por apoiadores do regime. As autoridades argelinas no posto de fronteira, sob anonimato, afirmaram hoje que seria “pouco provável” que os carros pudessem passar despercebidos pelos habitantes da região, ainda que pouca gente more nos arredores. A Argélia não reconheceu o Conselho Nacional de Transição líbio, o órgão político dos rebeldes, e jamais pediu a saída de Kadafi do poder.

Neste sábado, o presidente do CNT,  Moustafa Abdeldjil, admitiu que os rebeldes não sabem onde está o ditador nem seus filhos. " Não temos nennhuma informação factual sobre o local onde se encontram Muammar Kadafi e seus filhos", disse, em coletiva de imprensa em Trípoli.

Um ex-guarda-costas do ditador, o coronel Abdessalam Khalafallah Annadab, disse a um jornal árabe que o presidente estaria planejando uma fuga para a Nigéria, onde tem familiares que poderiam protegê-lo.

Caos em Trípoli

Em Trípoli, a situação permanece caótica: falta água e luz em diversos bairros da cidade, e os corpos de vítimas dos conflitos dos últimos dias se acumulam nos hospitais e mesmo nas ruas, onde o forte calor provoca a decomposição rápida dos restos mortais. A água teria sido cortada na estação de Jebel Hassouna, a 700 quilômetros ao sul da capital. Apesar dos problemas, os combates armados estão diminuindo a cada dia, atestam jornalistas que acompanham o desenrolar da invasão rebelde.

Nesta manhã, o Conselho Nacional de Transição negou que o regime tivesse cortado o abastecimento de água na capital. “Estamos com alguns problemas técnicos que estamos tentando resolver”, afirmou Mahmoud Chamman, um dirigente dos rebeldes. Ele confirmou que ainda existem pontos de resistência à ocupação insurgente em Trípoli, mas que “isso é normal após 42 anos de regime ditatorial”.

A resistência se concentra nos bairros de Abu Salim e Salaheddine. Os insurgentes afirmam controlar 95% da capital, inclusive o aeroporto da cidade, mas dizem que a batalha só estará vencida com a captura de Kadafi.

Ontem, o principal posto de fronteira com a Tunísia, em Ras Jdir, foi totalmente assumido pela rebelião, mas ainda há combates na região de Zuara, a 90 quilômetros ao oeste de Trípoli. O trajeto é fundamental para o abastecimento de alimentos para a capital.

A Otan, assum como os rebeldes, continua bombardeando alvos estratégicos em Sirte, a cidade-natal do ditador e onde ele poderia estar escondido. Sirte representa hoje a maior resistência à queda do regime.
 

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