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ONU/ Assembleia Geral

Projeto de reconhecimento do Estado Palestino domina discussões

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon (à direita) recebe Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina, que deve pedir na sexta-feira o reconhecimento de um estado palestino como membro da ONU.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon (à direita) recebe Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina, que deve pedir na sexta-feira o reconhecimento de um estado palestino como membro da ONU. UN Photo/Eskinder Debebe
Texto por: Kênya Zanatta
3 min

O projeto de reconhecimento de um estado palestino deve dominar as discussões durante a 66ª Assembleia Geral da ONU que começa nesta quarta-feira em Nova York. Apesar das pressões internacionais para evitar um confronto com os Estados Unidos e Israel, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, já confirmou que pedirá ao Conselho de Segurança na sexta-feira o reconhecimento da Palestina como estado-membro da ONU.  

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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e Mahmoud Abbas se reúnem hoje em Nova York às 13h no horário de Brasília. O encontro será mais uma ocasião para Obama pedir a Abbas que renuncie à iniciativa. O governo norte-americano já deixou claro que utilisará seu direito de veto caso o projeto seja aprovado pelo Conselho de Segurança.

O chefe da diplomacia israelense, Avigdor Lieberman, disse hoje que o pedido de adesão de um estado palestino à ONU não ficará sem resposta por parte de Israel, mas se negou a dar detalhes. Ele excluiu a possibilidade de um congelamento da colonização israelense na Cisjordânia e em Jerusalém-Leste. Essa era uma das reivindicações dos palestinos para retomar as negociações de paz, que estão paradas há um ano.

Já o ministro das Finanças israelense, Yuval Steinitz, afirmou que se os palestinos mantiverem o projeto podem sofrer retaliações econômicas e lembrou que Israel recolhe e encaminha para a Autoridade Palestina impostos, sobretudo alfandegários, no valor de US$ 135 milhões (cerca de R$ 240 milhões) por mês.

O governo israelense montou uma verdadeira operação de guerra para a batalha de comunicação que acontece nos bastidores da Assembleia Geral da ONU. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu chegou a Nova York com uma delegação de porta-vozes, especialistas em comunicação, ministros e deputados. Uma "tenda do diálogo" foi instalada perto da sede da ONU para explicar a posição oficial israelense, segundo a qual a iniciativa unilateral da Autoridade Palestina será um obstáculo às negociações de paz.

Cisjordânia

Enquanto as tratativas entre aliados e opositores acontecem nos corredores das Nações Unidas em Nova York, milhares de palestinos saíram às ruas das principais cidades da Cisjordânia, território controlado pela Autoridade Nacional Palestina (ANP), para demonstrar seu apoio ao projeto de reconhecimento do estado palestino pelo Conselho de Segurança da ONU. A ANP concedeu um dia de folga a estudantes e funcionários públicos para que eles pudessem participar de manifestações em Ramallah, Belém, Nablus e Hébron.

Os palestinos pretendem reestabelecer um estado com as fronteiras de antes da Guerra dos Seis Dias, em 1967, quando Israel anexou a Faixa de Gaza, Jerusalém-Leste e a Cisjordânia. Desde 2007, após uma rápida guerra civil, a ANP controla somente a Cisjordânia e depende de ajuda financeira internacional para sobreviver, enquanto o Hamas, contrário às negociações de paz com Israel, domina a Faixa de Gaza. Os dirigentes do Hamas desaprovam a iniciativa de Mahmoud Abbas e nenhuma manifestação foi organizada no enclave.

 

 

 

 

 

 

 

 

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